5 Oscar Niemeyer: Biografia (1907 - 2012)

Oscar Niemeyer foi um arquiteto brasileiro, famoso por projetar obras como os edifícios de Brasília, o Ibirapuera e também por colaborar no projeto da sede das Nações Unidas em Nova Iorque.

Ele é considerado uma das mais importantes personalidades brasileiras, contribuindo para o desenvolvimento da arquitetura moderna mundial. Ele foi elogiado como escultor de monumentos, usava de possibilidades construtivas de concreto armado e fez história em vários países, após chamar atenção pelas obras feitas em solo brasileiro.

Niemeyer trabalhou até o fim de sua vida, deixando um legado para o Brasil.

NomeOscar Ribeiro de Almeida Niemeyer Soares Filho
GêneroMasculino
Famoso comoArquiteto
NacionalidadeBrasileiro
Nascido15 de dezembro de 1907
Falecimento5 de dezembro de 2012
CônjugeAnnita Baldo (1928 a 2004); Vera Lúcia Cabreira (2006 a 2012).

Quem foi?

O arquiteto brasileiro Oscar Ribeiro de Almeida Niemeyer Soares Filho nasceu no Rio de Janeiro, no dia 15 de dezembro de 1907, sendo filho de Oscar de Niemeyer e Delfina Ribeiro de Almeida. Seu avô, Antônio Augusto Ribeiro de Almeida, foi ministro do Supremo Tribunal Federal.

A graduação em arquitetura de Oscar aconteceu na Escola Nacional de Belas Artes, atualmente conhecida como Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Durante a faculdade de arquitetura, ele vivenciou uma reforma proposta pelo diretor do curso, Lúcio Costa, na ENBA, onde remodelou o curso de arquitetura se baseando nos princípios modernos da Europa. Graças a essas mudanças, a turma em que Niemeyer fez parte formou grandes nomes da arquitetura brasileira.

Enquanto muitos alunos estagiavam em construtoras, durante o terceiro ano de curso, Oscar passou a trabalhar de graça no escritório de Lúcio Costa, Carlos Leão e Gregori Warchavchik, com o objetivo de se aproximar do arquiteto e garantir maior amadurecimento profissional.

Através do estágio com Lúcio, ele colaborou no projeto do Ministério de Educação e Saúde, atual Palácio Gustavo Capanema. O jovem se formou no ano de 1934.

A base de Niemeyer na arquitetura foi formada a partir das ideias de Le Corbusier, famoso arquiteto europeu. Ele costumava usar materiais e técnicas modernas e também os cinco pontos da arquitetura, entre elas os pilotis, fachadas livres e terraços-jardim.

Com o passar do tempo, Niemeyer se tornou uma das principais personalidades da arquitetura, ficando conhecido por projetos em Brasília e também pela colaboração no projeto da sede das Nações Unidas, em Nova York.

Em sua trajetória, o arquiteto foi muito elogiado e também criticado devido aos seus grandes monumentos, além de explorar diversas possibilidades a partir do concreto armado.

Entre os primeiros trabalhos solo de Oscar estão os projetos dos edifícios na Pampulha, em Belo Horizonte, com o engenheiro Joaquim Cardozo. Neste trabalho está a famosa Igreja São Francisco de Assis, que rendeu muitos elogios e chamou a atenção internacional para o arquiteto.

Graças a sua atuação no projeto da sede das Nações Unidas, ele recebeu diversos convites para lecionar em universidades mundialmente conhecidas, como a Universidade de Yale e a Escola de Design da Universidade de Harvard.

O presidente do Brasil de 1956, Juscelino Kubitschek, convidou Niemeyer para projetar os prédios públicos de Brasília, capital projetada do Brasil. Foi então que ele fez os projetos do Congresso Nacional do Brasil, o Palácio do Planalto, o Supremo Tribunal Federal, a Catedral de Brasília e também o Palácio do Alvorada. Todos os edifícios foram concluídos antes de 1960 e considerados na época uma arquitetura experimental.

Graças ao seu trabalho, ele foi nomeado diretor do departamento de arquitetura da Universidade de Brasília e também se tornou membro honorário do Instituto Americano de Arquitetos.

Após o golpe militar em 1964, Oscar precisou deixar o Brasil, pois apoiava a ideologia esquerdista e militava pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB). Na época, ele passou a morar em Paris, onde abriu um escritório.

Em 1985 o arquiteto retornou para o Brasil e recebeu o prêmio Pritzker de arquitetura três anos depois.

Os projetos mais recentes assinados por ele são o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, o Memorial Luiz Carlos Prestes, o Museu Oscar Niemeyer, o Centro Cultural Internacional Oscar Niemeyer e a Cidade Administrativa de Minas Gerais.

Oscar trabalhou até sua morte, aos 104 anos, no dia 5 de dezembro de 2012. O último projeto assinado por ele foi A cidade das artes e da cultura, presente em Marrocos, a pedido do rei Mohammed VI, que demorou quase oito anos para aprovar o projeto.

Oscar permaneceu ativo até 2009, quando passou por duas cirurgias. Até então ele ia para o escritório todos os dias trabalhar no projeto Caminho Niemeyer. O arquiteto faleceu pouco antes de completar 105 anos, em 2012, por complicações causadas por uma infecção respiratória.

Infância e juventude

Oscar Niemeyer nasceu na capital do Rio de Janeiro, no bairro Laranjeiras. Ainda na infância, ele foi afetado pela vida pública de seu avô, o ministro do Supremo Tribunal Federal Antônio Augusto Ribeiro de Almeida. O avô deixou para a família apenas a casa onde residia. O jovem foi descendente de árabe, alemão e português. Com vida financeira favorável. A juventude de Oscar foi tranquila, frequentando cafés e clubes da Lapa.

Relacionamento e vida pessoal

Em 1928, Niemeyer se casou com Annita Baldo, na época com 18 anos. Mesmo se considerando ateu, o jovem aceitou casar na igreja católica, a pedido da noiva, que era devota da religião.

Em 1929 ele se matriculou no curso de Engenharia e Arquitetura da Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro. Em 1390 ele começou a trabalhar na tipografia do pai para sustentar a família que crescia com o nascimento da sua filha, Anna Maria Niemeyer.

Anna foi a única filha do casal, ela deu a Oscar cinco netos, treze bisnetos e quatro trinetos.

O arquiteto ficou viúvo em 2005. Em 2006 ele se casou novamente com a secretária, Vera Lúcia Cabreira, de 60 anos. O casal ficou junto até a morte de Oscar, em 2012;

Carreira

A carreira de Oscar Niemeyer iniciou a partir da nomeação de Lúcio Costa para projetar a sede do Ministério da Educação e Saúde, no Rio de Janeiro. Para isso, ele reuniu alguns jovens arquitetos. Inicialmente Niemeyer não estava incluído no projeto, mas mudou a ideia de Lúcio após muita insistência. O famoso arquiteto Le Corbusier foi convidado como consultor e Oscar foi o escolhido para auxiliá-lo com os desenhos, ficando mais próximo do suíço.

Após Corbusier produzir duas soluções para o projeto e deixar o Rio de Janeiro, Niemeyer mudou alguns aspectos de um deles e causou boas impressões em Lúcio, que levou a proposta em frente.

A importância de Oscar foi tanta que, quando Costa se afastou do projeto em 1939, ele assumiu a liderança do grupo.

O Ministério foi finalizado em 1943. Na época, o arquiteto estava com 36 anos e conseguiu ver na prática todos os elementos que viriam a fazer sucesso na arquitetura brasileira: elevação da rua com apoio de pilotis e sistema de pilares de concreto mantendo o prédio suspenso. Esse edifício se tornou o primeiro grande marco na Arquitetura moderna do país e um dos mais influentes daquele século.

No ano de 1939, o projeto de Oscar foi escolhido para o pavilhão brasileiro da Feira Mundial de Nova Iorque. Lúcio Costa havia inicialmente vencido o concurso, porém, julgou o projeto de Niemeyer mais ousado e moderno, propondo então uma parceria para desenvolver um novo projeto arquitetônico.

No pavilhão brasileiro havia uma linguagem elegante e fluidez, partindo de um plano aberto, paredes livres e muitas curvas. Na época, o prefeito de Nova Iorque se encantou com a arquitetura do pavilhão e entregou para Oscar as chaves da cidade.

Em 1937 Oscar projetou um berçário para uma instituição que atendia jovens mães, chamado de “A obra do berço”. Esse foi seu primeiro trabalho finalizado. Nesta construção, notava-se a presença da influência de Le Corbusier, marcada pela presença dos pilotis, fachada e planta livres, com abertura total de janelas e terraço-jardim.

O arquiteto conheceu, em 1940, o então prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek que, em parceria com o governador Benedito Valadares, queria fazer uma área nobre chamada Pampulha e convidou Oscar para desenvolver prédios que seriam conhecidos futuramente como Conjunto Arquitetônico da Pampulha. Nessas construções estão inclusas cassino, restaurante, lago, iate clube, igreja, entre outras instalações.

Esse complexo ficou pronto em 1943 e foi exposto no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, ganhando aclamação internacional.

O projeto que mais chamou atenção no complexo foi a Igreja de São Francisco de Assis, construída a partir de concreto armado, foi o primeiro edifício moderno tombado como patrimônio histórico no Brasil. Devido a sua aparência incomum, essa igreja só recebeu consagração em 1959.

Após o estrondoso sucesso da Pampulha e sua exposição internacional, Niemeyer passou a ser mundialmente conhecido e o chamado estilo brasileiro de arquitetura.

A partir da década de 40, seus projetos tendem para o modernismo, usa o purismo estreito e manipula proporção e escala, permitindo resolver problemas complexos com o uso de plantas simples e inteligentes.

Em 1948 foi inaugurado a sede do Banco Boavista, projetado por Oscar, mostra o arquiteto adotando soluções criativas para lidar com o terreno urbano. Uma das fachadas dessa obra foi envidraçado, refletindo a Igreja da Candelária e demonstra a sensibilidade do profissional.  

Ainda na década de 40, Oscar começou a atuar no mercado imobiliário da Capital Paulista, trabalhando para o Banco Nacional Imobiliário. Os edifícios Triângulo, Eiffel, Califórnia e Montreal foram projetados nessa época.

Nesse mesmo período, o arquiteto recebeu a solicitação de Francisco Inácio Peixoto para construir uma casa e um colégio na cidade mineira de Cataguases, projetos que deram visibilidade à cidade.

Aos 40 anos, em 1947, Oscar decidiu voltar para Nova Iorque, onde integraria a equipe encarregada de projetar a nova sede das Nações Unidas, onde trabalhou novamente ao lado de Le Corbusier.

Graças ao reconhecimento conquistado nos Estados Unidos, Niemeyer projetou no país a residência Burton G. Tremaine, um dos projetos residenciais mais ousados da sua carreira, na Califórnia.

Devido aos posicionamentos políticos favoráveis ao comunismo e sua filiação ao partido, em várias ocasiões ele foi impedido de trabalhar nos EUA, pois não conseguia o visto. Devido a esses problemas, ele não pode lecionar na Universidade de Yale em 1946 e também na Universidade de Harvard em 1953.

Em 1950 o escritor Stamo Papadaki fez o livro “The Work of Oscar Niemeyer”, sendo o primeiro livro sobre o arquiteto e falando sobre o estudo simpático da arquitetura. Seis anos depois o segundo livro chegou: “Oscar Niemeyer: work in progress”.

Niemeyer foi convidado para projetar, em 1956, o Parque do Ibirapuera para comemorar o 400º aniversário de São Paulo.

O Edifício Niemeyer na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, foi projetado pelo arquiteto em 1954. Nesse mesmo local, foi projetada uma Biblioteca Pública, no mesmo ano. Em Belo Horizonte, o arquiteto também projetou o Colégio Estadual Central.

Na década de 50, Oscar projetou inúmeras casas para personalidades da época, no entanto, o destaque principal é da sua própria residência, considerada uma obra-prima, projetada em 1953. Denominada como “Cada das canoas”, é localizada em um terreno com vista para o mar e é feita em dois pisos.

Como forma de divulgar ainda mais seu trabalho, Niemeyer fundou, em 1955, a Revista Módulo. Essa revista se tornou importante para a arquitetura e urbanismo do Brasil, além de falar também sobre arte e cultura. No entanto, com a chegada da Ditadura Militar em 1965, sua produção foi proibida, retornando apenas em 1975.

Uma de suas principais obras e a mais desafiadora foi a de desenvolver o projeto da nova capital do Brasil, em 1957. Para isso, ele abriu um concurso público para o Plano Piloto de Brasília. Seu amigo Lúcio Costa foi o vencedor e seria o responsável pelo plano da cidade, enquanto Oscar foi o arquiteto escolhido pelo presidente.

A primeira inauguração da cidade aconteceu em 1958, com a Igrejinha Nossa Senhora de Fátima, construída em 100 dias. Já o primeiro edifício público foi o Palácio do Alvorada, onde em sua fachada contém o emblema da cidade.

Em 21 de abril de 1960 ocorreu a inauguração do Palácio do Planalto, seguida da Catedral Metropolitana e, por último, o prédio do Congresso Nacional, no centro do Eixo Monumental.

Em 1966, dois anos após o início da ditadura militar no Brasil, Oscar foi impedido de trabalhar e precisou se mudar, escolhendo Paris para ser sua nova residência. Foi então que ele abriu um escritório e recebeu um pedido para projetar a Universidade de Constantine. Em 1970 ele também desenhou a mesquita de Argel, projetou a sede do Partido Comunista Francês, o Centro Cultural Le Havre. Na Itália, ele foi o responsável pelo edifício da Editora Mondadori.

Oscar voltou ao Brasil após o término da ditadura, em 1980, e projetou o Sambódromo do Rio de Janeiro. Na mesma década, ele construiu o Memorial JK e o Memorial da América Latina, além de inúmeros outros edifícios conhecidos mundialmente.

A Fundação Oscar Niemeyer foi criada em 1988 para preservar seus trabalhos. Já o Memorial da América Latina foi feito pelo arquiteto em 1989, seguido do MAC Niterói em 1991. No ano de 2002 o Museu Oscar Niemeyer de Curitiba foi inaugurado, abrigando diversas exposições anualmente. Em 2003 o arquiteto projetou o seu primeiro edifício na Grã-Bretanha.

Oscar Niemeyer completou 100 anos em 2007 com total saúde e ativo em sua profissão. Ainda nesse ano ele foi condecorado pelo governo francês como Comendador da Ordem Nacional da Legião de Honra, uma das mais altas condecorações do país.

Na Rússia o arquiteto também recebeu homenagens no mesmo ano, sendo condecorado com o título da Ordem e amizade. Ainda no seu centenário, o Iphan considerou 35 obras de Oscar como patrimônio cultural histórico do Brasil.

Em 2008 ele foi convidado para projetar o centro administrativo do Governo de Minas Gerais.