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Hannah Arendt: Biografia

Hannah Arendt Hannah Arendt: Biografia

Arendt viveu no século XX e retratou em suas obras o período obscuro vivenciado pelos judeus durante a Alemanha nazista.

Johanna Cohn Arendt, conhecida como Hannah Arendt, foi uma influente filósofa política nascida na Alemanha, com origem judaica. Nascida em 1906, ela foi encarcerada e decidiu emigrar do país de origem em 1933, tendo sua nacionalidade retirada pelo regime nazista em 1937. Em 1951 ela se tornou oficialmente uma cidadã americana, pois após sair da Alemanha, fez residência em Nova York, onde trabalhou como jornalista, professora e publicou obras sobre filosofia política.

O conceito defendido pela filósofa era o pluralismo político, com isso, ela defendia a liberdade e igualdade política. Arendt era crítica perante a democracia e defendia o sistema de conselhos e a democracia direta. No entanto, devido a suas discussões e representações da filosofia moderna, ela continua sendo estudada como filósofa.

Arendt usa como fonte de suas pesquisas documentos políticos e históricos, além de biografias e livros. Seu sistema de analisar os fatos fazem dela uma pensadora original e muito à frente de seu tempo, trazendo conhecimentos diversos e muitas especialidades. Entre suas principais obras estão ‘As origens do Totalitarismo’, ‘Entre Passado e o Futuro’, ‘Condição Humana’ e ‘Eichmann em Jerusalém’.

Fatos rápidos sobre Hannah Arendt

Nome completoJohanna Arendt
Escola/Tradição:Filosofia continental, filosofia política, fenomenologia
Data de nascimento:14 de outubro de 1906

Quem foi Hannah Arendt?

 Hannah Arendt nasceu em 14 de outubro de 1906, em Hannover, na Alemanha e, aos três anos, mudou-se com a família para a Prússia. De origem judaica, a família não praticava a religião, então, a jovem só começou a ter contato com a cultura durante sua juventude, movida pela ascensão do preconceito contra judeus na Europa.

Hannah era filha de Paul Arendt, um engenheiro de classe alta e de Marth Cohn, que possibilitaram para ela uma boa educação, sendo que devido a seu pai ser membro do Partido Social-Democrata Alemão, a filha tinha grande facilidade em se envolver com política e fez parte desse mundo desde muito cedo. Sendo uma criança que demonstrava extrema inteligência e muita vontade de aprender, desde nova mostrava para todos seu espírito de liderança.

Seu pai morreu quando a menina tinha apenas sete anos, levando Hannah e sua mãe a se mudarem novamente, quatro anos mais tarde, para a casa do avô paterno, Max Arendt.

A mãe de Arendt também era muito culta e havia estudado durante três anos na França, aplicando seus conhecimentos segundo o ideal alemão na educação da filha. Durante a vida, Martha registrou a evolução mental e física de Hannah em um caderno intitulado Unser Kind ‘nosso bebê’.

Adolescência e vida acadêmica

Durante a adolescência, a menina organizou um boicote contra seu professor, após o mesmo a insultar e acabou sendo expulsa da escola, necessitando estudar sozinha para conseguir uma vaga na universidade.

Foi no ano de 1924 que a jovem conseguiu sua vaga na Universidade de Berlim, por meio de sua mãe. No local, ela estudou latim, grego e teologia. Então, Arendt elaborou uma tese sobre uma das obras de Rahel Vernhagen e ganhou uma bolsa de estudos em uma associação de ajuda para a ciência alemã, se interessando cada vez mais por ciências políticas.  

Ao passar dos meses, a jovem passou a analisar a exclusão dos judeus. Em 1932, publicou um artigo na revista de História dos judeus na Alemanha, chamado ‘O Iluminismo e a questão judaica’, onde falou sobre ideias sobre o judaísmo e sua independência.

Em uma crítica feita também em 1932 sobre o livro Das Frauenproblem in der Gegenwart, ela comenta a emancipação das mulheres na vida pública e suas limitações, abordando a vida profissional e o casamento. Ela percebe então como as mulheres são menosprezadas perante os homens e a sociedade e faz mais críticas.

Em 1933, a filósofa defendia a luta contra o nacional-socialismo alemão. Essa foi uma abordagem contrária a diversas personalidades alemãs, incluindo judeus, que elogiavam os partidos no poder.

A partir dessa luta, surgiu uma disputa com Leo Strauss, causando o rompimento de sua amizade, que só retornou em 1950. Outro amigo que foi deixado de lado foi Benno Von Wiese, pois ele se tornou nazista em 1933.

O distanciamento entre Hannah e seus amigos foi frequentemente citado em suas obras. Ao final de sua vida, ela afirmou que os pensadores que se aproximaram do regime nacional-socialista fracassaram em suas vidas profissionais.

Outro círculo de amizade formado a partir da proximidade com Benno Von Wiese e seus estudos aconteceu com Kurt Blumenfiel, diretor do movimento sionista. Em seus estudos e artigos, eram retratados os problemas enfrentados pelos judeus. Em 1951, Arendt enviou uma carta de agradecimento a Kurt sobre a luta que travou frente ao movimento.

Em 1933, Arendt teve seu acesso à docência em universidades da Alemanha negado. Isso aconteceu após a tomada do poder de Hitler, quando ela foi impedida de defender sua tese para conseguir o acesso. Futuramente, seu envolvimento com as questões judaicas a levariam para o campo de concentração.

Com o passar do tempo, ela transferiu seu curso para a Universidade de Marburg. Foi nesse local que ela conheceu um professor que a orientaria em suas pesquisas e projetos.

No local, ela também conheceu muitos alunos que mais a frente se tornariam grandes nomes da filosofia, como Karl Lowith e Hans Jonas. Há especulações de que a escolha dessa universidade e da filosofia tem a ver com um relacionamento anterior com Ernst Grumach.

Com o passar do tempo, Hannah embarcou em um romance com o professor e foi muito criticada por todos à sua volta. O professor, chamado Martin Heidegger, apoiava o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (nazistas), e por consequência, era contra a cultura judaica.

Com o fim do relacionamento, Arendt criticou muito as escolhas do ex-namorado. Entretanto, devido à admiração intelectual que mantinham um pelo outro, ambos trabalharam juntos em alguns momentos após o fim da Segunda Guerra Mundial.

Quando Arendt estava escrevendo a tese de doutorado O Conceito de Amor em Santo Agostinho, ela conheceu e foi orientada pelo professor Karl Jaspers, homem que se tornou um amigo fiel da jovem por toda a vida. Antes de Hitler ascender ao poder, Karl pediu para Hannah se considerar alemã e não judia, o que é negado por ela.

Casamento

A filósofa se casou com o professor de filosofia Gunther Stern em 1930, esse relacionamento durou nove anos. Com o nazismo entrando em ascensão na Alemanha e a perseguição aos judeus começado, ela precisou fugir para a França. Porém, antes de fugir, ela foi presa e interrogada, já que fazia parte da Organização Sionista Alemã. 

Hannah então deixou a Alemanha e seguiu para Praga e Genebra, antes de chegar em Paris, onde trabalhou com crianças judias expatriadas por seis anos.

Em 1940, ela iniciou um novo casamento, dessa vez com um historiador chamado Heinrich Bluecher. Infelizmente, após o casamento, ela precisou fugir também da França, devido ao início da ocupação nazista no país, e foi presa no campo de concentração de Gurs.

Vida nos Estados Unidos

Após conseguir escapar do campo de concentração nazista em 1941, Hannah fugiu para os Estados Unidos, com a ajuda do jornalista americano Varian Fry, decidindo por residir em Nova York. A pensadora teve sua nacionalidade alemã retirada pelos nazistas em 1933, e por isso, passou a ser apátrida (sem nacionalidade) e sem direitos políticos.

Residindo nos EUA, a filósofa publicou diversos textos em jornais da América e conseguiu emprego como editora. Só no ano de 1951 que ela conseguiu se tornar uma cidadã norte-americana e pode então dar aula em universidades do país. No mesmo ano, ela publicou o livro intitulado ‘As Origens do Totalitarismo’, sendo então reconhecida e consagrada pela comunidade. Sete anos depois, lançou também o livro ‘A Condição Humana’.

O seu sucesso como filósofa foi tão estrondoso que as Universidades de Princeton, Cornell e da Califórnia a convidaram para atuar como professora convidada, onde pode ministrar cursos e palestras por quase duas décadas, tendo finalizado suas atuações nos três locais no final de 1960. Entre 1967 e 1975, Hannah pode ensinar filosofia e política na New School for Social Research.

O livro ‘Entre o Passado e o Futuro’ foi publicado por ela em 1961, ano em que foi enviada a Israel pela revista The New Yorker para acompanhar o julgamento de Adolf Eichman, um militar que serviu ao nazismo e se escondeu por 20 anos, até ser capturado. Para falar sobre o assunto, Arendt escreveu uma matéria, dando origem ao livro ‘Eichman em Jerusalém’. No entanto, essa obra foi muito criticada pela comunidade judaica.

Três anos depois de seu envio a Israel, Hannah foi entrevistada por programas de televisão, onde falou que não se considera uma filósofa, mas sim, uma teórica política. Ela apenas aceitou sua condição como pensadora filósofa novamente em 1967, ingressando como professora no News School for Social Research. Um ano depois, ela publicou mais um livro, chamado ‘Homens em Tempos Sombrios’.

Em 1970, Arendt sofreu uma grande perda quando Heinrich Bluecher, seu marido, morreu. Sete anos depois, em dezembro de 1975, a pensadora morreu, com 69 anos, após sofrer um ataque cardíaco fulminante. 

Ideologia

A ideologia apresentada por Hannah apresenta três fatores:

Característica dos movimentos totalitários: Esse fator apresentado pela filósofa fala sobre sempre existir uma explicação sobre a história, no presente, passado e futuro e sobre como elas orientam-se pelo movimento ou um processo de constante mudança.

Propaganda, conspiração e doutrinas: Nesse segundo elemento, os exemplos de doutrinações são claramente explicados por Arendt como as escolas nazistas, as soviéticas e as Ordensburgen, criadas com o intuito de formar exércitos. Segundo a autora, essa ideologia tem o poder de libertar pessoas da realidade.

No último elemento, Hannah comenta sobre os métodos utilizados pelo totalitarismo que tinham como objetivo distanciar as pessoas da realidade. Esses processos aconteciam através da dedução e apresenta o racionalismo prevalecendo sobre o empirismo.

Ainda sobre o último elemento, a filósofa explica que quando uma pessoa entra nesse movimento, esquece de todas suas ideologias, através da persuasão dos líderes em discursos e propagandas.

Obra marcada pela perseguição nazista

A história de vida de Hannah Arendt é, sem dúvidas, um fator que determinou o sucesso de suas obras. Perseguida pelos nazistas desde sua juventude, perdeu sua pátria muito cedo e sofreu pela disseminação do ódio contra sua cultura. Foi obrigada a lutar para defender suas crenças políticas e passou sua vida estudando o totalitarismo, os direitos humanos e políticos. Além de se dedicar a entender os fatores que resultaram nos caminhos obscuros e difíceis ao longo do século XX.

Influenciada parcialmente por Sócrates, Arendt tratava a filosofia como atividade moral. Com o objetivo de permitir que cada pessoa conseguisse conviver consigo mesma. A pensadora também era uma seguidora de Kant. Foi a partir dele que ela se conceituou no cosmopolitismo e na ideia de paz eterna, ideia considerada uma utopia, com a crença da evolução humana buscando a paz entre países.

Outro pensador que gerou impacto na filósofa foi Santo Agostinho, que a ensinou uma maneira de enxergar ações que geram a responsabilidade pelo que cada um faz. Já com Heidegger, o ensinamento adquirido foi sobre o modo de pensar. Ela adquiriu ali um pensar apaixonado, em que se acreditava que o pensamento sobre determinado assunto seria a essência da vida.

Um dos grandes estudos na vida de Hannah foi sobre os regimes totalitários. Em suas análises, se perguntava com frequência sobre como chegaram a derrubar os direitos das pessoas. O sucesso do regime totalitário durou alguns anos na Alemanha, na Itália e na União Soviética, com países fortalecidos e maiores que a coletividade das pessoas. Esse regime é retratado na centralização do poder a um líder com controle da vida pública e privada, finalizado pela caracterização de um inimigo da pátria.

Devido a seus pensamentos e suas obras, Arendt foi considerada uma liberal devido a defesa que oferecia para que o estado garantisse os direitos e a cidadania dos civis, tendo como principal objetivo evitar que os Direitos Humanos fossem derrubados. 

Em suas obras, Hannah Arendt explica os tipos de governo e técnicas de administração. Sobre as ideias de Platão, ela chama de tirania, em A República, onde o político está contra todos, e ele poderia governar da forma como achar mais conveniente.

No governo autoritário, também é usada a metáfora da pirâmide descrita como a sede de poder no topo, onde a autoridade se filtra ao poder na base de forma com que cada um possua uma autoridade. Descreve então diferentes níveis inter relacionados, com fontes de autoridades em códigos de leis, como a constituição, o direito natural e os mandamentos divinos.

Quando Arendt descreve o governo totalitário, ela recorre à metáfora da cebola. Nesse caso, o centro é um espaço vazio que abriga um líder e qualquer movimento dele oprime seus seguidores.

Em cada nível de hierarquia, um lado mostra uma fachada de realidade e o outro realiza o extremismo. Essa estrutura, segundo a filósofa, torna o sistema à prova de choque contra a realidade. Em outras palavras, quando o totalitarismo está acontecendo, a noção de realidade e dos fatos é suspenso. A Lei é ditada pelo líder e ele as executa da forma como achar melhor.

O sucesso de Hannah aconteceu devido ao estilo próprio de sua escrita, que relaciona teorias e acontecimentos. Em suas obras, ela oferece nova abordagem para lidar com os problemas que ocorriam durante seu tempo, abordando temas religiosos, políticos e culturais. Arendt conseguiu analisar acontecimentos históricos e falar sobre eles sem acabar com os conceitos tradicionais filosóficos.

Conceitos de Hannah Arendt

Em todas as obras apresentadas por Hannah Arendt, um dos conceitos importantes retratados por ela é a banalidade do mal, sobre o conceito de mal radical. Esse conceito fala sobre o mal enraizado em quem o pratica, sendo aquele que nasce fundamentado no ódio. Em suas obras, Arendt retrata o ódio nazista, conhecido também por antissemitismo, como um mal radical.

Adolph Hitler foi declaradamente um ser antissemita e mostrava a crença de que estavam fazendo tudo pelo bem maior. Elas juravam que suas ações tinham uma finalidade, tratando-se então de ações ligadas a um mal radical.

Outra categoria apresentada pelos nazistas era o mal banal, quando a ação ruim praticada pelo indivíduo não tem fundamento, levando em conta que a perseguição realizada contra os judeus não tinha a ver com a crença e princípios, mas sim, motivos banais. Segundo Hannah, um indivíduo que representava a categoria era Adolf Eichmann, oficial do exército nazista que organizava o transporte de judeus para suas prisões.

Eichmann era vendedor autônomo e aceitou fazer todas as atrocidades solicitadas por seus comandantes por acreditar que o exército ofertaria uma carreira mais promissora do que sua antiga. Com isso, em seu julgamento após a captura, ele contou que não odiava judeus, apenas procurava cumprir as ordens que recebia, mantendo o dinheiro que ganhava. Devido a essa situação, Hannah não poupou críticas ao afirmar que as ações do militar eram medíocres e que o mundo estava cheio de gente incapaz de pensar sobre as ações que realizam.

Porém, Arendt também citou que o nazismo não foi um ato de maldade e apenas representava um grupo de políticos preocupados em subir na carreira e imergidos em pensamentos e atos psicopatas. Com isso, ela foi banida de seus círculos sociais e se envolveu em grande polêmica.

As polêmicas sobre as escritas de Hannah em relação a entrevista e livro lançado por ela após a cobertura do julgamento de Eichmann foram retratadas no filme ‘Hannah Arendt – Ideias que chocaram o mundo’, em 2012. O longa foi dirigido por Margarethe Von Trolta e teve Barbara Sukowa como a atriz responsável por interpretar a pensadora.

Além de retratar as polêmicas envolvendo Hannah, o filme também retrata a imigrante judia tentando romper as ligações com o passado doloroso. A trama mistura a personalidade arrogante com a vulnerabilidade dela e com isso, revela uma mulher solitária e acostumada com o exílio.

Outra ideologia apresentada por Arendt fala sobre os métodos usados para afastar as pessoas da realidade, usada no totalitarismo. Nesse conceito, a filósofa explica que a pessoa começa a fazer parte de um movimento e a partir daí, tudo que veio antes é esquecido. Nesse elemento, ela conclui que essa prática é uma forma dos líderes persuadirem, com discursos ou propagandas, seus seguidores.

Solidão e isolamento

A solidão e o isolamento são explicados por Hannah como uma das formas da organização totalitária moldar e controlar o povo, conseguindo assim se manter no poder.

Como isolamento, a autora explica a impotência e incapacidade em agir, evitando que as pessoas se unam para mudar o regime político. Essa forma de governar está atrelado a modelos tirânicos de poder, visto geralmente em ditaduras.

Explicando a solidão, Arendt afirma que é a noção de vida humana, ou privada, ligada ao conceito de banalidade do mal. É ele que contempla ideias de desarraigamento (ausência de raiz), fazendo com que a pessoa acredite que não tem lugar no mundo e não é reconhecido por outros.

Ambos são ideias interligadas e presentes nos direitos humanos. O primeiro tem como base o direito de possuir direitos e o segundo sobre o pertencimento de um indivíduo a um país. Com esse conceito, Hannah apresentou para a sociedade uma nova conceitualização do totalitarismo na ciência política da época.

Crítica a Karl Marx

Ao longo de seu trabalho, Arendt diferenciou o conceito de labor e trabalho, proporcionando um entendimento mais legível sobre o tema para os leigos sobre o assunto. Com isso, as pessoas passaram a entender melhor as condições do sujeito sobre sobrevivência própria direta ou para sustento sobre o capitalismo financeiro.

Criticando Marx sobre o conceito de trabalho, a filósofa fala sobre a possibilidade de o trabalho ser produtivo ou improdutivo, produzindo objetos pela ação do homem. Enquanto isso, Marx considera só o trabalho produtivo como fonte de matéria e deixa de lado o improdutivo.

Outra crítica feita pela filósofa é relacionada à concepção marxista de violência no ensaio Religião e Política, pois, segundo ela, o discurso e debate oferecido na obra são ideológicos e uma ação política correta seria não discursiva. Ela ainda faz citações sobre o ensaio chamado Compreendendo o comunismo, que trata sobre o assunto das ciências sociais da época e como eles são.

Defesa dos direitos dos cidadãos

Segundo Hannah, a política é liberdade, desse modo, em suas obras, a política é retratada como um fenômeno externo, que acontece entre os homens. Também é dito como a participação da comunidade como forma de garantir a pluralidade humana e a convivência de diferentes povos.

Na compreensão feita por Arendt, são comportados os homens distintos em um mundo de aparências, discursos e trocas que afirmam uma singularidade. Devido a essas diferenças a política não pode negligenciar os seres singulares que aqui fazem morada.

Para a filósofa, todos têm o direito de ouvir e ser ouvido, ver e ser visto, participar de discussões sobre a gestão pública e política. Todos precisam opinar e ser respeitados, principalmente quando se fala sobre Direitos Humanos.

Arendt define a sociedade política, em que os homens não se interessam pelo público, como uma formação de analfabetos políticos manipuláveis, que só tem interesse em suas necessidades singulares.

Principais obras:

Vamos listar agora algumas das principais obras de Hannah Arendt, que publicou livros de sucesso como “As Origens do Totalitarismo”, “A Condição Humana e “Eichmann em Jerusalém”. A filósofa ainda escreveu muitos artigos que foram publicados ao longo de sua vida.

A Origem do Totalitarismo

Nesse livro, a autora escreve sobre o regime totalitário, que resulta na aniquilação da dignidade humana. Ao longo da obra, Hannah apresenta a forma de política que se baseia em aterrorizar através de políticos tiranos que instalaram períodos de ditaduras ao longo da história.

Segundo Arendt, o totalitarismo emana o medo e elege um inimigo para o país, colocando nas pessoas a ideia de que, se o inimigo não morrer, o país poderia ruir.

A publicação deste livro tornou a filósofa conhecida em seu meio e até hoje é um retrato da história e dos movimentos políticos. Ao longo da obra, a escritora também fala sobre o crescimento do antissemitismo na Europa em 1800 e faz uma breve análise do império europeu de 1884 e da Primeira Guerra Mundial.

Outro assunto comentado pela autora é a transformação de classes e o uso de propagando para manter o regime totalitário em andamento. Ao final, há uma discussão sobre os movimentos, seguido de uma avaliação de Hannah sobre o isolamento de precondições sobre a dominação total.

A Condição Humana

Esse livro é uma obra com conteúdo filosófico, onde é investigado tipos de ação sobre os constituintes da política. Um ponto alto dessa obra é a crítica da valorização partindo de uma perspectiva teórica em detrimento da ação.

Em algumas partes, a autora analisa o que é um ser humano a partir de uma perspectiva de trabalho e ação e retoma em algumas partes o totalitarismo. Também pode ser encontrada ao longo do texto algumas críticas sobre o marxismo, do modo como enxergava o trabalho.

Arendt apresenta a compreensão sobre o que é específico e o que é genérico nos humanos e compreende três atividades que integram a vida: a ação, o trabalho e a labor. Para ela, essas atividades são fundamentais, pois atuam sobre condições básicas da vida do homem e fornecem compreensão sobre a liberdade. Hannah também aborda a questão proletária moderna e o relato da evolução da ação e discurso como predominantes.

Eichmann em Jerusalém

Em sua obra mais polêmica, Hannah relata sua ideia de banalidade do mal, onde apresenta o que ouviu no depoimento de Adolph Eichmann, um oficial nazista, que foi capturado por israelenses após 20 anos de sua fuga e levado para Jerusalém, onde foi julgado.

No julgamento, que Arendt acompanhou, Eichmann se revelou como apenas um funcionário que seguia ordens, incapaz de pensar sobre seus atos ou negar aos comandos superiores.

Em sua descrição do réu, a autora fala sobre um homem que apenas busca crescer no meio em que trabalha para ganhar dinheiro, mas, ainda sobre a fala de Hannah, ele era incapaz de subir de patente devido a sua mediocridade.

Com isso, a autora passa a falar sobre a banalidade do mal como uma ameaça à democracia e investiga questões atuais, através de uma combinação de jornalismo e filosofia. Com todos os seus pensamentos sobre o homem incluídos no livro, a obra foi alvo de muitas críticas, principalmente vindas de judeus. Além disso, Arendt denunciou lideranças judaicas por entregar judeus em troca de liberdade.

Entre o passado e o futuro

O livro fala sobre uma reunião de diversos temas da obra de Hannah. Discorre sobre direitos, nazismo, refúgio, totalitarismo, política, marxismo, pátria, judeus e sionismo. É como se fossem muitos pensamentos da autora discorridos em um único lugar, servindo como ferramenta para compreendê-la.

Na obra, Arendt fala sobre a ruptura entre o moderno e o tradicional, explicando seu ponto de vista sobre a tradição e o moderno. Com isso, a autora divulga inquietações em relação à sociedade de sua época, sendo um ótimo apoio para tentar uma interpretação de pensamento.

Homens em tempos sombrios

Essa obra reúne biografias de mulheres e homens que viveram épocas sombrias na primeira metade do século XX, afetados pelo totalitarismo dos regimes stalinista e nazista. A autora reflete sobre os acertos e erros de personalidades da época sobre a realidade daquele momento.

Ação e busca pela felicidade

Essa obra de Hannah reúne quatro ensaios dispostos em diferentes momentos da autora. Nela, Arendt é uma das maiores filósofas e ajuda aqueles que querem compreender a política do século XX. Dentre os temas estão o exercício da política e a liberdade. Esse livro nos faz questionar o tempo moderno, é crítico e estimulante.

Sobre a revolução

Arendt identifica nesta obra as linhas de força das revoluções, partidas de transformações políticas que aconteceram anteriormente. Ao longo da obra, a autora também cita as contradições e motivações de tais revoluções e aponta fatos que contribuem para a conquista, perda ou manutenção de poderes, afirmando que a maior força para todos é o desejo de liberdade.

Nós refugiados

Esse não é um livro, mas sim, um artigo que expõe a reflexão de Arendt sobre as dificuldades das pessoas que precisaram se refugiar, mesmo quando eles não se opunham aos atos políticos do país. 

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