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Biografia Gregório de Matos

Gregorio de Matos Biografia Gregório de Matos
Via Wikipédia

Gregório de Matos foi um poeta e também advogado luso-brasileiro, que desempenhou um importante papel no nosso país, ao dar o pontapé inicial dentro da literatura brasileira. Vale lembrar que nesse período Portugal estava dando passos mais firmes na colonização do Brasil, e Gregório faz parte de uma geração de português que nasceram no Brasil colônia.

No entanto, embora seja um poeta bastante reconhecido nos dias de hoje, não foi muito isso que aconteceu em seu período de vida. Assim como os quadros de Van Gogh não eram compreendidos quando ele era vivo, os poemas de Gregório de Matos também não eram aceitos, uma vez que faziam duras críticas à sociedade estabelecida no período. Claro que o tempo mudou essa concepção, e ele passou a ser um ícone da poesia e da literatura brasileira.

Fatos Rápidos sobre a vida de Gregório de Matos

NomeGregório de Matos Guerra
GêneroMasculino
Famoso comoPoeta, Advogado
NacionalidadeLuso-brasileiro
Signo do zodíacoCapricórnio
Nascimento23 de dezembro de 1636
Falecimento26 de novembro de 1696
Conhecido por criarAos Vícios
O poeta na última hora de sua vida
A Jesus Cristo nosso senhor
O poeta descreve a Bahia
Formosura de D. Ângela
A uma saudade
Causa da MorteFebre
EsposaMichaella de Andrade
FilhosGonçalo de Matos

Quem é Gregório de Matos?

Gregório de Matos é um dos poetas brasileiros mais importantes de todos os tempos, sendo de nacionalidade luso-brasileiro, devido a ocupação de Portugal no nosso território, ele conseguiu marcar presença sendo o maior representante da escola barroca no país.

Ele viveu entre os anos de 1636 e 1696, isto é, em pleno século XVII, que foi realmente um século bastante marcante, onde viveram diversas personalidades importantes. Um exemplo interessante é que enquanto Gregório de Matos escrevia suas poesias no Brasil, e Portugal dava continuidade a colonização do território brasileiro, o cientista inglês Isaac Newton, que viveu na mesma época, formulava sua lei da gravidade.

Os poemas escritos por Gregório chamam a atenção por sua visível intenção de falar simplesmente o que sente ou que pensa no momento, sem medir suas palavras, mas sempre tomando o cuidado transcrever esse mensagem da forma mais bela possível, através de rimas precisas, e de um formato chamativo para suas poesias.

Poucas pessoas conseguiram concentrar intenção, qualidade, inteligência, beleza, sonoridade e um conteúdo refinado em um poema, com a técnica que possuía Gregório de Matos.

Suas poesias de temas variantes, hora críticos, hora apaixonados, hora religiosos, traziam a mesma refinação e a mesma categoria, com uma forma única de se expressar e de expressar suas mensagens e sentimentos através de versos.

Considerado o primeiro poeta de origem brasileira, Gregório conseguiu efetivamente não apenas como um dos primeiros, mas também como um dos mais importantes poetas que o Brasil já teve a honra de conhecer.

Como foi a infância de Gregório de Matos?

Gregório de Matos, como era conhecido o poeta Gregório de Matos Guerra, nasceu no dia 23 de dezembro do ano de 1636, na cidade brasileira de Salvador, capital do estado nordestino da Bahia, e no período era também a própria capital do Brasil.

Vale lembrar, porém, que nessa época, o Brasil era um colônia de Portugal, sendo assim, Gregório de Matos, embora tenha nascido aqui, não era brasileiro, por assim dizer, mas sim português. A nomenclatura utilizada atualmente é a de luso-brasileiro.

Seu pai, também chamado de Gregório de Matos, era um legítimo cidadão português, vindo do território de Guimarães, em Portugal. Sua família atuava dentro da construção civil, e pôde proporcionar uma boa educação ao jovem Gregório, que também era filho de Maria da Guerra.

Iniciou seus estudos aos sete anos de idade, frequentando um dos colégios de jesuítas, ainda dentro do território baiano. Contudo, quando completou 15 anos de idade, em 1650, dirigiu-se para a capital de Portugal, Lisboa, a fim de terminar seus estudos por lá.

Dois anos mais tarde, ingressou na Universidade de Coimbra, também em Portugal, onde ficou até completar seus 26 anos de idade, frequentando o que na época era chamado o curso de cânones, ou melhor Direito, que era um curso ofertado na época voltado para esse lado jurídico.

Foi justamente essa profissão que Gregório de Matos exerceu por vários anos, sendo juiz, procurador e até mesmo desembargador, até quando começou a criticar fortemente como a sociedade se comportava na época, utilizando a poesia como sua arma mais eficiente, e marcando a sociedade, deixando seu nome na história, como um dos principais poetas luso-brasileiros.

O primeiro poeta brasileiro

Entrando também em um pouco sobre a história do Brasil, Gregório de Matos carrega também outro título, o de ser o primeiro poeta brasileiro. Como foi possível observar, ele nasceu na Bahia, e embora fosse ainda em um período em que Portugal estava colonizando o território, sendo uma extensão desse país, Gregório nasceu efetivamente no que hoje são terras brasileiras.

Dessa forma, ele de outros escritores que existiram antes dele, como o próprio barroquista Bento Teixeira, que criou a obra “Prosopopéia” no século XVI, aqui em nossas terras, ele nasceu em Portugal, mais precisamente na cidade de Porto.

Então, por esses motivos, Gregório de Matos é considerado o primeiro poeta a nascer em nosso sagrado solo, conseguindo destaque, embora não seja da forma mais convencional como outros poetas, mas conseguindo cravar seu nome na história do país, não apenas como o primeiro, mas também como um dos mais importantes poetas de todos os tempos.

Gregório de Matos teve esposa e filhos?

No ano em que completou seu curso em leis, em Coimbra, Gregório de Matos, que estava com 26 anos de idade, acabou casando-se com Michaella de Andrade, que foi a única esposa do poeta.

Eles ficaram juntos até o ano de 1678, quando Gregório já estava com 43 anos de idade. A causa de sua separação se deu simplesmente pelo fato de que Michaella acabou falecendo, deixando o poeta viúvo, ainda jovem. Depois disso, ele não casou-se mais.

Quatro anos antes desse incidente, em 1674, Gregório de Matos acabou por reconhecer o que viria a ser o seu único filho, Gonçalo de Matos. No entanto, ele é fruto de uma traição, não sendo filho de sua então esposa Michaella.

Qual a Escola Literária de Gregório de Matos?

Tendo vivido entre os anos 1636 e 1696, ou seja, em pleno século XVII, Gregório de Matos era pertencente a escola literária barroca, ou melhor, ao Barroco, que era fortemente ligada à religião, tendo no Brasil outros representantes em outras áreas, como o Aleijadinho, que foi um importante nome na escultura brasileira.

Gregório foi o principal representante dessa escola poética dentro do Brasil, sendo um importante nome do gênero. Suas obras que mais marcaram sua vida são as satíricas, que englobam temas políticos e a sociedade da época, principalmente a própria Bahia. Mesmo a religião, por ser, mesmo que de seu modo, um católico, não escapavam de suas poesias mais ácidas.

Temas religiosos eram comuns em suas obras, mas quase sempre tratados de uma forma bem peculiar, que também não agradava muito as pessoas. Apesar disso, ele também se dedicou a poemas mais românticos, deixando externar um lado realmente bem sentimental do poeta.

Quais as principais características de suas obras?

Quando se fala em Gregório de Matos, é impossível não dar foco justamente em sua satirização sobre as coisas, a sociedade, e até mesmo a religião. No entanto, embora seja essa sua característica mais forte, também há outras que marcam os seus poemas. Vejamos:

Sonetos

Um dos pontos principais sobre as obras do poeta é justamente a forma como as poesias são escritas, quase sempre adotando um padrão, ao qual dá-se o nome soneto, que é realmente muito comum dentro desse ambiente poético.

Os sonetos são poemas formados por apenas quatro estrofes, que são a junção de alguns versos. Assim, a primeira e a segunda estrofe devem conter quatro versos cada. A terceira e a quarta estrofe são compostas por três versos cada, totalizando assim quatro estrofes e quatorze versos.

Grande parte dos principais poemas de Gregório de Matos seguem essa estrutura, sendo algo realmente muito marcante em suas obras, e uma característica muito forte do poeta.

Rimas

As rimas também são outro ponto importante sobre as obras de Gregório de Matos, uma vez que ele realmente preza e utilizava as rimas como uma forma de tornar seus poemas ainda mais completos.

O modo como ele buscava se ater também a esse detalhe, sem abrir mão do sentido que ele queria passar, e também sem abrir mão da beleza do poema em si, também é uma característica bastante presente em seus escritos.

A forma como ele alternava os versos, se alternava de acordo com suas obras. Assim, em um poema ele rima o primeiro verso com o quarto, e o segundo com o terceiro; já em outro poema ele rima o primeiro verso com o segundo, e o terceiro com o quarto; etc.

Não havia, então, um padrão a ser seguido em seus poemas, mas todos tinham a rima como um de seus pontos fortes, sendo sempre versos até mesmo mais complexos, não se limitando a simplicidade que algumas terminações oferecem, como o “ão”, cujo possui muitas palavras terminadas assim.

São realmente muitas rimas raras, o que embora seja algo difícil de se executar, gera um efeito magnífico, mas que Gregório sempre buscava e efetivamente conseguia em muitos de seus poemas.

Antítese

Um ponto também importante sobre suas obras é a presença da antítese, que é uma figura de linguagem bastante comum em seus poemas. A antítese é marcada utilização de palavras com sentido contrário, como morte e vida, noite e dia, tristeza e alegria, etc.

Qual é o apelido de Gregório de Matos?

Durante o período em que se dedicou a suas poesias, Gregório de Matos ganhou um grande destaque, infelizmente, negativo para sua época. A grande verdade é que ele não procurava exatamente o reconhecimento, mas simplesmente não tinha medo de falar o que bem pensava, abrindo mão, assim, de uma vida regada de oportunidades que recebeu, sendo advogado e com boas ligações com pessoas importantes.

Seus ideais e sua indignação com a sociedade da época, bem como a atuação da igreja católica, que era muito forte no período, eram bem maiores do que o medo de uma possível retaliação, como realmente aconteceu, sendo deportado para a Angola.

Embora tenha criado e tratado sobre outros assuntos, foram justamente seus poemas críticos, com satirismo e acidez em seus versos, que tornaram seu nome conhecido, sendo esse o motivo que ele recebeu seus apelidos mais conhecidos, que eram o de boca do inferno e também o de boca de brasa.

Quais são as principais obras de Gregório de Matos?

Durante todo o tempo em que se dedicou à poesia, Gregório de Matos deixou diversas obras importantes, que foram capazes de vencer essa barreira do tempo, chegando até os dias atuais, sendo ainda muito estudados e tendo um reconhecimento muito grande do público, transformando-o em um dos mais brilhantes poetas que já viveram em nosso país.

No entanto, que se fala em seu legado, a poesia de Gregório de Matos é dividida em três vertentes diferentes, mostrando lados distintos do poeta. Assim, é possível organizar suas obras em poemas religiosos, satíricos e também em líricos. Vejamos melhor sobre cada uma dessas vertentes.

Poemas Religiosos

Esses, como é possível pressupor, são poemas de cunho religioso, onde o poeta também dedicou uma boa parte de seu tempo, tendo escrito várias poesias com essa temática. O teor das obras em si tratam sobre Deus, sobre Jesus, o pecado, o perdão, etc. Ele era um crítico realmente ativo da igreja católica.

São uma de suas vertentes mais interessantes, onde a forma que ele trata sobre esses assuntos é realmente magnífica, sempre utilizando versos inteligentes, com uma sagacidade refinada. Esses são alguns exemplos de poemas religiosos de Gregório de Matos:

O poeta na última hora de sua vida

Essa é uma das poesias mais famosas de Gregório de Matos, onde é possível perceber toda a sua inteligência e sagacidade, buscando, de certo modo, convencer a Deus a perdoar os seus pecados, onde mesmo tendo pecado bastante, nada supera o amor de Deus.

Nesse poema também está presente uma das marcas mais importantes das obras de do poeta, que é a antítese, que é o uso de palavras com sentidos opostos em seus versos, como viver e morrer, por exemplo.

É um poema realmente completo, capaz de exprimir toda a sagacidade que Gregório de Matos possuía, sendo capaz de tentar dialogar e induzir até mesmo Deus, o que realmente não era nada bem visto, principalmente em sua época, onde os jesuítas estavam empenhados em implementar o cristianísmo no território brasileiro.

A Jesus Cristo nosso senhor

Assim como o poema anterior, essa poesia de cunho religioso foca em toda a bondade de Jesus Cristo, buscando mostrar que quanto maior é seu pecado, maior é o seu perdão. Para isso, ele se associa a uma ovelha desgarrada do rebanho guiado por Jesus, e também em seu desejo em não perder essa ovelha.

Dessa forma, busca mostrar a glória de se conseguir recuperar essa ovelha, antes perdida, mas agora estando em seus braços, bastando apenas que perdoe seus pecados, para que tudo fique na mais perfeita paz.

Poemas Satíricos

Nesses poemas, que tanto marcaram a vida e obra de Gregório de Matos, o poeta faz duras críticas à sociedade da época, tendo a Bahia como um foco bastante frequente. Afinal era lá que ele vivia, sendo também o local mais importante do Brasil colônia naquela época, onde estava a própria capital do território, Salvador.

No entanto, não era apenas sobre esse estado que Gregório despejava suas críticas, dirigindo-se também ao resto do país, e inclusive a outras nações, como quando ele respondeu uma carta a um amigo, informando algumas notícias sobre Lisboa, enquanto vivia em Portugal.

Aliás, foi graças a seus poemas satíricos que ele ganhou os seus apelidos que o acompanharam por toda a vida, que era o de boca de brasa, e também o de boca do inferno, algo que realmente o caracterizada, dado a suas poesias ácidas, carregadas de críticas sobre a sociedade em geral.

O poeta descreve a Bahia

A Bahia, por ser o local onde ele nasceu, e também onde viveu por um bom tempo, na infância e também na idade adulta, foi um local onde ele realmente focou muitas de suas poesias satíricas. Nessa em especial, onde “O poeta descreve a Bahia”, ele busca descrever como era o estado, aos seus olhos.

Ele realmente não media suas palavras, nem tinha medo do que elas poderiam lhe causar. Então, critica diversas classes, como os governantes, aos quais diz que não sabem liderar nem mesmo suas casas, e buscam liderar o resto do mundo.

E, mesmo a classe mais pobre, como os vizinhos, também não escapam de suas críticas, dizendo que sempre estão observando a vida alheia, simplesmente para comentar depois, em outras palavras, diz que é um local de fofoqueiros.

Poemas Líricos

Embora fosse realmente conhecido e inclusive detestado por uma boa parcela da sociedade da época, devido a suas obras satíricas, Gregório de Matos não era apenas isso, muito pelo contrário, ele também se dedicava a outras vertentes, escrevendo inclusive vários poemas líricos.

Neles, o poeta era capaz de expressar seus mais profundos sentimentos, e deixar transparecer uma essência bastante escondida sob sua face crítica, que era a de um homem também apaixonado, capaz de escrever belas poesias externando todos os sentimentos bons e também anseios que sentia.

Formosura de D. Ângela

Nesse poema, dedicado a D. Ângela, Gregório de Matos mostra então seu lado mais romântico, deixando toda a satirização de suas obras, e focando em todo o romance que a poesia também envolve.

Com isso, ele consegue produzir um belo soneto, que é um poema composto de duas estrofes de quatro versos e de duas estrofes de três versos. Assim, ele descreve a primeira vez que vê essa mulher a qual se refere na poesia, sendo que mostra que já falavam bastante dela, e que ele tinha o desejo de vê-la.

A uma saudade

Nesse soneto, Gregório de Matos expressa também todos os sentimentos que possui, ao falar de uma saudade que está sentindo no momento. Assim, ele exprime toda a dor da saudade, todo o sofrimento que ele causa. As rimas, muito bem organizadas, que são uma marca do poeta, de sempre escrever através de rimas.

É um poema realmente muito bem estruturado, bem pensado, e com uma ótima capacidade de expressão, digno de um grande poeta tal qual é realmente Gregório, que permeou tão bem por diversas vertentes, falando do amor, de Deus, da sociedade em si, etc.

Quando e como morreu Gregório de Matos?

Depois de ocupar diversos cargos importantes no Brasil e até mesmo em Portugal, como promotor, desembargador, tesoureiro, etc. recebendo nomeação inclusive do próprio rei de Portugal, que no período era D. Pedro II (que não era o mesmo governante do Brasil Império), Gregório de Matos acabou então a se frustrar com os costumes da época, dando ainda mais voz ao seu satirismo, que já possuía a muito tempo.

Ele começou a fazer críticas mais pesadas sobre a Bahia, os costumes, a sociedade, e criando cada vez mais inimigos, sendo inclusive ameaçado de morte, correndo então sérios perigos de vida, caso permanecesse em território brasileiro.

Assim, após receber muitas denúncias sobre suas condutas e críticas, ele acabou recebendo uma condenação de deportação, por assim dizer, dada por um amigo seu, que na época governava a Bahia, João de Lencastre.

Ele foi deportado para a Angola, onde ficou com um bom período, e depois recebeu a chance de voltar novamente, mas com a limitação de não andar mais em solos baianos. Por isso, passou os últimos dias de sua vida na capital de Pernambuco, Recife, que é outro estado nordestino.

No período que passou na Angola, ele acabou ficando doente, e ao voltar para o Brasil, não conseguiu mais se recuperar, morrendo de febre 26 de novembro de 1696, alguns dias antes de completar 60 anos de idade.

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