Síndrome de Tourette: sintomas, causas e tratamento

Poucas pessoas já ouviram falar da Síndrome de Tourette, uma importante condição neuropsiquiátrica. Neste post você irá aprender os principais conceitos, causas, sintomas e tratamentos desse distúrbio que afeta a vida de milhares de pessoas.

O filme “Primeiro da Classe”, dirigido por Peter Werner, conta a história peculiar de um homem que, desde criança, é diagnosticado com Síndrome de Tourette.

A narrativa conta o trajeto de Brad Cohen, que, mesmo com uma síndrome que afeta as expressões faciais e a comunicação, decide ser professor e desafiar as probabilidades.

Desse modo, vê-se que esse filme conta um pouco a realidade de milhares de pessoas, as quais possuem a qualidade de suas vidas afetadas.

Apesar de não ser muito conhecida, a Síndrome de Tourette, de acordo com a Tourette Association of America (Associação Americana de Tourette), uma em cem crianças possui essa síndrome.

Assim, é essencial que se saiba o que é essa síndrome e seus principais conceitos médicos e sociais.

O que é a Síndrome de Tourette?

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A Síndrome de Tourette mostra sinais desde o período da infância.

A síndrome de Tourette é um tipo de Transtorno de Tique.  Essa síndrome é um distúrbio neurológico caracterizado pela presença de tiques, que são movimentos e vocalizações involuntárias, ocorrendo com certa periodicidade.

Geralmente, os tiques se manifestam desde a infância, mas também podem se desenvolver de maneira mais significativa a partir da adolescência.

A frequência dos tiques pode variar segundo diversas circunstâncias. Porém, é possível identificar intensificação na periodicidade deles a partir de situações de estresse e associação com outros tipos de problemas emocionais e psiquiátricos.

Quais são os sintomas da Síndrome de Tourette?

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A Síndrome de Tourette possui diversos sintomas motores e vocais.

Os sintomas associados à Síndrome de Tourette variam de pessoas para pessoa. Boa parte dos casos envolve tiques motores, ou seja, relacionados à movimentação de músculos e estruturas do corpo.

Os tiques, que se manifestam de diversas maneiras, podem ser agravados por sintomas de ansiedade e estresse. Portanto, a sua variação irá depender de acordo com as condições do ambiente e do estado emocional da pessoa com a síndrome.

Existem, basicamente, dois tipos de tiques: os motores e os vocais. Dentro de cada um desses tipos existem os tiques simples (envolvem somente um músculo e são breves) e os tiques complexos (envolvem grupos de músculos e são movimentos ou vocalizações coordenados).

Tiques Motores

Os tiques motores estão relacionados à movimentação de um músculo ou de grupos de músculos, formando movimentos.

Simples:

  • Piscar os olhos;
  • Fazer movimentos horizontais com os olhos;
  • Mostrar a língua;
  • Contrair o nariz;
  • Fazer movimentos com a boca;
  • Movimentar os ombros;

Complexos:

  • Cheirar ou tocar em objetos;
  • Fazer gestos obscenos;
  • Dobrar ou torcer o corpo;
  • Pisar com um determinado padrão;

Tiques Vocais

Os tiques vocais estão relacionados à produção de sons ou palavras de maneira involuntária.

Simples:

  • Soluçar;
  • Grunhir;
  • Tossir;
  • “Limpar” a garganta;
  • Latir;

Complexos:

  • Repetir as próprias palavras ou frases;
  • Repetir as palavras e frases ditas por outras pessoas;
  • Falar palavras obscenas;

Quais são as causas da Síndrome de Tourette?

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A causa da Síndrome de Tourette ainda é desconhecida.

A Síndrome de Tourette é uma condição neuropsiquiátrica extremamente complexa, visto que envolve diversas áreas do sistema nervoso.

Além disso, receptores e hormônios estão envolvidos nesse processo de descobrimento da causa. Receptores comuns associados a essa síndrome são: noradrenalina, dopamina e serotonina.

É importante dizer, porém, que a causa da Síndrome de Tourette ainda é desconhecida pela comunidade científica.

Mesmo assim, é importante enfatizar que os estudos relacionados a essa síndrome reafirmam a possibilidade de causa ser genética. Além disso, fatores relacionados ao ambiente e ao desenvolvimento cerebral estão associados.

Nenhum gene específico foi identificado com causa desse tipo de transtorno.

Como é feito o diagnóstico da Síndrome de Tourette?

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O diagnóstico da Síndrome de Tourette deve seguir diversos padrões estabelecidos.

Os sintomas da Síndrome de Tourette, geralmente, já se manifestam na infância. Os sintomas iniciais costumam ser tiques repetitivos e frequentes nos músculos do rosto.

De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais DSM-5, para um indivíduo ser diagnosticado com Síndrome de Tourette, ele deve apresentar as seguintes características:

  • deve ter múltiplos tiques motores e vocais, que não necessariamente ocorrem no mesmo momento.
  • apresentar tiques por pelo menos um ano, sendo que eles podem se manifestar diariamente ou não.
  • mostrar sintomas de tiques antes de completar dezoito anos.
  • apresentar os sintomas (tiques) sem relação a nenhum tipo de medicação ou outras drogas ou qualquer outro tipo de condição (outras doenças).

É importante enfatizar a necessidade de acompanhamento médico constante, que poderá avaliar as condições da pessoa diante os sintomas. Nem toda manifestação de tique é a Síndrome de Tourette.

Além disso, essa síndrome pode estar acompanhada de outras condições, como: Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), dificuldades de aprendizagem, Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), e outros.

Como é feito o tratamento?

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Existem, na atualidade, diversos tratamentos para a Síndrome de Tourette.

Pensar em um tratamento para uma pessoa com Síndrome de Tourette nos deve fazer pensar sobre suas peculiaridades e necessidades específicas.

Isso porque cada pessoa apresenta sintomas de maneiras diferentes, e, portanto, deve ser acompanhado de forma individual a partir da intensidade de seus tiques.

A maioria dos tiques são considerados moderados, assim, não há grandes necessidades de tratamento complexos. Porém, se os tiques foram muito frequentes e intensos, um tratamento especializado deve ser procurado.

Os tratamentos, geralmente envolvem dois aspectos: a terapia, medicação e tratamentos neurológicos.

Terapia

A terapia faz parte de um processo essencial para aqueles que possuem a síndrome de maneira severa: remodular seus comportamentos.

O indivíduo, ao ser orientado por um neuropsicólogo, pode aprender a lidar com seus comportamentos, sentimentos e emoções, de modo que eles sejam tratados para diminuição de sintomas.

Além disso, a terapia auxilia no tratamento de condições psicológicas, como ansiedade, TOC e TDAH. Desse modo, a frequência e intensidade de tiques pode ser diminuída.

Medicação

Há uma variedades de medicamentos que, apesar de não curarem a síndrome, auxiliam na diminuição dos sintomas e do estresse causado por eles.

Existem medicamentos que comumente usados, como o Haloperidol, Pimozida, Aripiprazol e Metilfenidato. Há, também, remédios a base de cannabis, os quais têm se mostrado eficientes no tratamento.

Tratamentos Neurológicos

Os tratamentos neurológicos têm surgido como alternativas aos diversos tratamentos existentes. Um dos mais famosos é o Deep Brain Simulation (Simulação Cerebral Profunda), ou DBS.

Esse tratamento consiste em aplicar uma dispositivo com bateria no cérebro da pessoa, a fim de que certas partes desse órgão sejam estimuladas.

Também é possível que instalem fios elétricos na cabeça do paciente, para que, com os estímulos elétricos, o cérebro produza respostas esperadas.

Geralmente, esse método é utilizado em pessoas com casos graves da síndrome, em que sua fala e movimentação são extremamente afetadas.

Cuidados particulares

Não podemos deixar de falar dos cuidados necessários que extrapolam os tratamentos e questões fisiológicas.

Isso porque a Síndrome de Tourette, por não ser tão conhecida, ainda carrega muito estigma na sociedade, fazendo com que as pessoas com essa condição sofram de diversas maneiras.

Uma das formas que essas pessoas sofrem é com a depressão e o bullying (no caso de crianças e adolescentes). Por isso, essas pessoas precisam ter um suporte encontrado na família, amigos e nos profissionais da saúde.

Dessa maneira, indivíduos com a Síndrome de Tourette poderão não somente viver com maior qualidade de vida mas também aproveitando e florescerem em seus relacionamentos.

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