Responsabilidade afetiva e a sua importância nas relações

Já ouviu falar em responsabilidade afetiva? Aqui você vai entender melhor o que é isso e sua urgente necessidade.

Você já terminou algum relacionamento porque não se sentia respeitada? Mesmo você tendo feito de tudo para terminar de maneira saudável? O termo responsabilidade afetiva existe para entender os fenômenos que acontecem em um relacionamento que podem fazer com que ele dure mais tempo, ou que ele termine em menos tempo do que se esperava. Mas o termo também pode indicar as relações de maneira mais abrangente. A todo contato com outras pessoas. Você vai entender melhor a partir de agora.

De fato, o que é essa tal responsabilidade afetiva?

Responsabilidade afetiva diz respeito ao cuidado com a outra pessoa da relação, está relacionada a ser explícita sobre suas intenções e esperar que a outra pessoa tenha uma atitude semelhante. Mas isso pode se materializar de diversas formas.

Você tem uma amiga que conheceu um cara e ela ficou super entusiasmada? O rapaz prometia que se apresentaria aos pais, que se casaria com ela, construiria uma família tendo filhos e filhas. Só que aí em um determinado momento esse rapaz simplesmente sumiu do nada e sem deixar explicações. Bloqueou sua amiga em todas as redes sociais e se deu alguma explicação foi apenas que ele mudou de ideia, ou ainda que sua amiga não era quem ele imaginava que era. Ou ainda qualquer outra desculpa esfarrapada.

Eu mencionei uma amiga, mas isso pode ter acontecido com você. Você pode ter sido a pessoa que foi deixada. Isso está relacionado à responsabilidade afetiva. Quando alguém faz promessas que sabe que não irá cumprir. Isso pode acontecer por vários motivos, porque a pessoa pode achar que fazendo essas promessas ela terá sexo com mais facilidade. Ou que elas poderão se divertir por mais tempo.

Não vamos colocar essa questão responsabilidade afetiva apenas na conta de outras pessoas, às vezes, nós somos as pessoas que não têm responsabilidade afetiva. Nos envolvemos com uma pessoa e não contamos nossas reais intenções, quando não desejamos algo sério ou queremos apenas algo casual. Quando não somos transparentes o suficiente com a pessoa que demonstramos interesse estamos sendo irresponsáveis afetivamente.

Uma conversa um tanto antiga

No clássico livro infantil O Pequeno Príncipe, a questão da responsabilidade afetiva já aparece por lá ainda que não com esse nome. O livro é de uma simplicidade muito grande que encanta crianças e adultos há gerações.

Desde sua primeira publicação em 1943, o aviador e ilustrador francês  Antoine de Saint-Exupéry conseguiu emocionar uma legião de pessoas que se tornaram imediatamente fãs de O Pequeno Príncipe.

O livro narra a história de um principezinho que morava em um planeta minúsculo e não tinha contato com outras pessoas. Até que um dia nasce uma rosa nesse seu pequeno planeta e ele passa a cuidar dela. Ele interage com a flor, mas não consegue compreender as emoções dela.

Em um determinado dia ele decide viajar por vários planetas. São viagens nas quais ele conhece pessoas das mais múltiplas formas e fica surpreso com a diversidade humana. No entanto, há uma viagem que é mais importante do que as demais.

Nessa viagem, ele vem parar na Terra e se encontra com uma raposa que diz que ele precisa cativá-la. É aí que começa a conversa prematura sobre responsabilidade afetiva. A raposa fala sobre a necessidade de rotina nas relações e outras coisas, mas a frase que mais se destaca na relação de ambos é a seguinte: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”.

A frase costumeiramente é citada para se evocar a responsabilidade que devemos ter para com outras pessoas e ela impactou o imaginário ocidental e até hoje faz as pessoas repensarem suas relações.

Responsabilidade afetiva em um mundo líquido e digital

Um celular com vários aplicativos de redes sociais.
É possível ser responsável afetivamente estando em contato com tantas pessoas?

Você já ouviu falar a respeito do sociólogo Zygmunt Bauman? Ele ficou muito conhecido por detectar algumas tendências da contemporaneidade. Em suas obras ele desenvolveu muito o conceito de liquidez. Segundo esse pensamento, diferente de anteriormente onde as coisas e relações eram sólidas e feitas para durar, na modernidade líquida, nada foi feito para durar.

Ao investigar a fragilidade das relações humanas, o sociólogo polonês chamou bastante atenção para o fato de que as relações atuais não são necessariamente mais satisfatórias que as relações que eram desenvolvidas anteriormente. Ele dizia que a ideia de uma relação que dure até a morte parecia cada vez mais extinta.

Outro aspecto levantado pelo autor é a ideia de redes em contraposição a comunidades. Ele destaca que na época em que ele cresceu, os relacionamentos eram desenvolvidos a partir das comunidades, algo que sempre é anterior às pessoas.

No entanto, na contemporaneidade, em contrapartida, as relações são desenvolvidas por meio de redes. Nessas redes, você pode adicionar uma pessoa facilmente e também, facilmente, pode desfazer a conexão.

O psicanalista Christian Dunker, autor do livro A Reinvenção da Intimidade: Políticas do Sofrimento Cotidiano, chama a atenção para o fato de que a internet e os aplicativos de mensagens nos permitem estar em contato com várias pessoas ao mesmo tempo, isso pode fazer com que pensemos menos na responsabilidade que temos para com algumas pessoas e ainda deixar outras de lado.

Poderia ser só mais um meme engraçado, mas o assunto é sério e real

Tudo vira meme na internet, isso nós já estamos cansadas de saber. Mas será que um assunto tão sério como esse cairia na graça das pessoas que estão conectadas à internet? A resposta é um alto e retumbante SIM. Veja a seguir como o meme se desenvolveu na web.

“Essa boquinha aí só beija ou também tem responsabilidade afetiva, deixa tudo claro desde o início e não dá corda só pra alimentar o ego?” tuitou Aleff Tau no ano 2017. De lá para cá o tuíte ganhou várias versões e virou um meme nacional.

No entanto, o que poderia parecer só mais uma piada, foi algo que abriu um diálogo novamente para que se fosse pensado a responsabilidade que temos para com outras pessoas. Por exemplo, a psicóloga Andréa Sefrian escreveu um texto com o título semelhante ao do tuíte.

Nesse texto, a psicóloga chama a atenção para o fato de que a carência muitas vezes nos motiva a tomar decisões precipitadas. Isso acaba gerando grandes desconfortos no futuro, Quando não sabemos se queremos um relacionamento sério, devemos deixar isso evidente para a outra pessoa, para que não haja decepções no futuro.

Precisamos ter cuidado ao entrarmos na vida de outras pessoas pois elas podem estar nutrindo expectativas que não temos o menor desejo de cumprir. Isso pode gerar muita dor na outra pessoa, pois pode achar que o problema está com ela e que ela não é digna de um relacionamento sério, podendo afetar sua saúde mental de maneira muito prejudicial.

O meme que virou até tema de vídeo no You Tube

O meme ainda levou a youtuber Stephanie Noelle a gravar um vídeo contando sobre o quanto essa experiência é frustrante. Ela começa comentando que quando soube da experiência de uma amiga que foi enganada por um rapaz, muita coisa coisa passou pela sua cabeça, inclusive cometer violência contra o rapaz.

Ela conta a experiência de uma amiga que nunca tinha se aberto para um relacionamento romântico, que tinha muitas barreiras relacionadas a isso. Até que de repente apareceu um rapaz que foi demolindo, aos poucos, todas as barreiras que essa amiga colocava.

Ele foi derretendo o gelo do coração dela. Dizia que gostava dela, que pensava nela todos os dias. Ele alimentou uma série de sentimentos.

No entanto, quando deu em um determinado momento do relacionamento, ele disse que estavam indo rápido demais e que não era necessariamente aquilo que ele queria.

A youtuber enfatiza que não há problema em ser uma pessoa desapegada, mas é necessário deixar isso explícito para a outra pessoa desde o início, para que não haja mal entendidos no futuro. Porque quando as pessoas ficam brincando com os sentimentos de outras pessoas, elas acabam iludindo a as outras pessoas e dificultando que elas se entreguem no futuro a alguém.

Cuidando de si e cuidando das outras pessoas

Os filósofos gregos tinham um princípio que estava relacionado a um conselho do oráculo de Delfos. O conselho dizia que a pessoa deveria ocupar-se de si mesma. Com essa expressão, os gregos desenvolveram várias práticas que incluíam reflexão, meditação e leitura, para que pudessem se conhecer melhor.

Para se ter responsabilidade afetiva é necessário entrar em contato consigo, sondar as suas intenções mais íntimas, para que assim você consiga entender quais são as suas limitações e o que você pode oferecer de verdade.

Sabendo o que você quer, você poderá estar disponível para oferecer às outras pessoas somente o que está ao seu alcance. Assim ninguém se frustra, ou a frustração poderá ser menor. O tema da responsabilidade se estende aos demais relacionamentos como a família e principalmente com amigos. Você precisa deixar evidente o que pode ou não oferecer nas suas demais relações.

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Até mais!

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