Podcasts feitos por mulheres: conheça alguns dos melhores

Você tem o hábito de ouvir podcasts? Aqui você vai ver as melhores opções lideradas por mulheres.

A mídia podcast tem revolucionado nossa maneira de adquirir informação e conhecimento. No entanto, é necessário questionar: onde estão as mulheres?  Há podcasts que são feitos por mulheres ou que elas são o público-alvo primário? Estamos em um momento da história em que não podemos deixar de fazer perguntas como essas.

Questionando o lugar das mulheres

Por séculos, vários lugares ao redor do mundo viveram uma estagnação social em relação aos papéis de gênero. Aos homens era dado a prerrogativa de agir na vida pública, ocupar cargos políticos. Nos lugares em que o voto era exercido somente eles tinham direito ao voto.

As profissões fora do lar eram ocupadas somente por homens e às mulheres era reservado o espaço do lar e as atividades domésticas. No entanto, nos últimos séculos essa realidade vem mudando aos poucos e as pessoas têm estado mais abertas para a atuação das mulheres fora das atividades domésticas.

Nós já mostramos um breve percurso da lutas pelo direito  das mulheres em outro post.  Você sabia que o Reino Unido as mulheres só passaram a votar em 1918? Isso apenas mulheres acima de 30 anos e que tivesse pelo menos uma casa. Mas  essa realidade só veio a mudar em 1928.

Além disso, é válido mencionar que a França sempre foi conhecido como o país da revolução, que teve os lemas liberdade, igualdade e fraternidade. Isso no final do século dezoito. No entanto, somente em 1965 que as mulheres tiveram o direito adquirido de poder trabalhar sem a autorização dos seus maridos.

Um recorte de raça para entender melhor a situação

Se o contexto das mulheres brancas de classe média passou por algumas lutas, imagine o que aconteceu com as mulheres negras. As mulheres negras em países como os Estados Unidos e o Brasil tiveram que lidar com as consequências da escravidão.

No Brasil, sobretudo, quando houve a abolição da escravidão homens, mulheres e crianças não receberam terras ou algum incentivo para que pudessem seguir suas vidas. Precisaram viver em subempregos ganhando pouco para que pudessem sustentar melhor suas famílias.

No curso Desconstruindo o racismo na prática, uma das pesquisadoras traz a informação de que as mulheres negras conseguiam empregos em lares antes de seus maridos, o que gerou uma cultura de que elas eram responsáveis pelo sustento da família.

É muito comum ouvir do movimento de mulheres negras que enquanto feministas brancas estavam lutando pelo direito de trabalhar fora de casa, mulheres negras estavam lutando pelo direito de não precisarem trabalhar tanto para sustentar seus lares.

O estrutura do machismo afeta toda a sociedade, principalmente as mulheres, mas as mulheres negras precisam lidar com a questão do racismo também que dificulta ainda mais suas vidas.

Vendo gênero como performance e não como essência

Por muito tempo, os papéis de gênero disfuncionais foram justificados por um discurso essencialista, isto é, que mulheres e homens nasciam com determinadas características que os tornavam aptos para desempenhar algumas atividades na sociedade melhor do que as mulheres.

O próprio ato de a mulher gerar o filho já foi utilizado como uma explicação para que ela fosse a responsável primária pelo cuidado e educação da criança. Na Grécia Antiga, havia uma forte misoginia, acreditava-se que as mulheres não tinham nenhum conhecimento para dar. Que elas não eram hábeis a pensar e que fossem dadas somente a emoções.

Já os homens eram vistos como aqueles que nasciam com a capacidade para pensar e eram por natureza seres racionais. Portanto, eles eram aptos para executarem as diversas tarefas públicas e que envolvessem reflexão.

No entanto, como ficou mais evidente no século passado, esses discursos não correspondem à realidade.  A filósofa Judith Butler em seu livro Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade deu um passo decisivo para essa conversa.

Em seu livro ela argumenta que os papéis de gênero não podem ser vistos como algo com o qual nascemos, mas algo que nos é imposto. Uma performance, isto é, uma sucessão de atos que dão a aparência de que existe uma essência.

Em outras palavras, o que ela está dizendo é que algumas tarefas são delegadas às mulheres e aos homens não porque nasceram com determinada capacidade, mas isso lhes foi designado como se fizesse parte deles.

Dessa maneira, podemos dizer que não existe trabalhos para homens e trabalhos para mulheres, mas isso foi convencionado assim. Por isso podemos assumir que não existe um lugar específico para as mulheres. O lugar da mulher é onde ela quiser. Isso pode muito bem valer para os programas de podcasts.

Um pouco de informação sobre o que é o podcast

Uma garota com traços asiático no carro comum celular e fones.
O podcast é uma mídia acessível que tem mudado a forma de a gente consumir conteúdo.

Os podcasts não têm uma definição exaustiva, não há muitos textos que se propõem a rastrear sua origem e como passou a se perpetuar na rede. Essa rede que às vezes é chamada de “podosfera”. O que se sabe é que os podcasts existem há um bom tempo.

Veja essa explicação simples do que é um podcast: “O podcast é como um programa de rádio, porém sua diferença e vantagem primordial é o conteúdo sob demanda. Você pode ouvir o que quiser, na hora que bem entender. Basta acessar e clicar no play ou baixar o episódio” (Mundo Podcast).

O podcast é algo simples. Nas várias plataformas de streaming como o Spotify você pode acessar a aba que está disponível para acessar os podcasts. Algumas pessoas disponibilizam também em sites para download ou ainda no You Tube. Há vários aplicativos que você pode procurar para ter acesso a podcasts como o Anchor, Google Podcast, Apple Podcast.

Qual é o tema que mais desperta seu interesse? Notícias, esportes, moda, pautas LGBTQIA+, feminismo, política? Pois nos podcasts você encontrará uma infinidade de assuntos que permitirá você a ter acesso a conteúdos de qualidade.

Conheça alguns dos melhores podcasts produzido por mulheres

A podosfera é uma rede que, assim como os demais espaço, é majoritariamente ocupada por homens. As consequências das políticas de acesso a mulheres em determinados locais está atrasada nesse espaço também. Portanto ele tem um grande protagonismo masculino. Mas será que esse é uma espaço apenas para homens? Se você acompanhou bem a argumentação até aqui, você sabe muito bem que a resposta é não.

Há uma iniciativa que visa promover a participação de mulheres na podosfera. A iniciativa O Podcast É Delas tem feito um trabalho de dar visibilidade e apoiar a iniciativa de mulheres que têm se dedicado a produzir conteúdos nesse formato. Lá no site você pode conhecer podcasts do seu interesse e até mesmo fazer convites para mulheres para que participem de algum outro programa.

AFETOS

O podcast AFETOS é uma conversa sobre o que move as mulheres Gabi Oliveira e Karina Vieira. É um podcast protagonizado por duas mulheres negras que falam sobre sentimentos, questões raciais e vários outros temas. A mais conhecida é a Gabi Oliveira por seus trabalhos e canal no you tube que tem a seguinte descrição:

Formada em Comunicação Social e com 27 anos, Gabi Oliveira, em pouco mais de 3 anos de trabalho na internet, conquistou notório reconhecimento , tendo chegado a marca de mais de 800 mil seguidores em suas redes e sendo um dos canais participantes do programa Creators For Change, da Google. Atualmente, ela também colabora em uma das campanhas da ONU Brasil. Vencedora do concurso Youtube Nextup e atual embaixadora Seda Brasil, Gabriela está na lista de mulheres inspiradoras, da Think Olga, e já palestrou no Brazil Conference na Universidade de Harvard, Rio2C e outros eventos renomados. Além disso, sua palestra no TEDx intitulada “Um novo olhar sobre a pessoa negra; novas narrativas importam” já conta com mais de 100 mil visualizações na plataforma Youtube.

Com um currículo desse, bom conteúdo é o que não falta no podcast dessas mulheres.

Sexoterapia

As informações sobre sexo, por um longo tempo, foram monopolizada pelos homens. Havia e ainda há bastante homens investigando sobre o prazer feminino. Mas essa é também uma questão que tem mudado. Cada vez mais mulheres estão ganhando espaço nas pesquisas sobre sexo e sexualidade. É por isso que um podcast como o Sexoterapia se faz faz bastante necessário.

A sexóloga Ana Canosa e a jornalista Marina Bessa conduzem conversas sobre sexo e relacionamento de uma maneira cativante e sensível. O podcast é um bom aliado para quem tem as mais diversas dúvidas sobre o tema.

Cadê minhas lésbicas?

Uma reclamação constante na história do movimento LGBTQIA+ tem sido a invisibilização das lésbicas. Nas conversas quem geralmente ganha protagonismo são gays brancos. Dessa maneira, lésbicas são esquecidas.

Aliás, o fato de o L vir primeiro na sigla LGBTQIA+ foi uma tentativa de dar visibilidade a essas mulheres que muitas vezes são o fetiche de muito homens héteros. Questiona-se muito sobre a representatividade das lésbicas em vários cenários como filmes e músicas.

O podcast Cadê minhas lésbicas? explora muito bem essa temática de uma maneira leve e descontraída.

Não há espaço para mais podcasts, você pode acessa o site já mencionado O Podcast É Delas para mais opções.

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