O que é a pansexualidade? Conheça essa orientação sexual

Você já ouviu falar em pansexualidade? Venha conhecer essa orientação sexual.

Uma bandeira com as cores rosa, amarelo e azul que simbolizam o orgulho pansexual.
Pessoas pansexuais celebram sua identidade com essa bandeira.
Reprodução: https://pt.wikipedia.org/

A maioria das pessoas são heterossexuais. Isso é algo que não deixa dúvida. No entanto, você já deve ter conhecido uma pessoa que é lésbica, outra que é gay, ouvido falar de alguém que é bissexual, ou  ainda das pessoas assexuais. No entanto, a pansexualidade ainda é uma novidade para algumas pessoas.

O que é orientação sexual?

A categoria orientação sexual ainda é muito mal compreendida, mas  você verá que ela não é difícil de se entender. Muitas pessoas usam o temo “opção sexual” para se referirem à sexualidade de alguém. Porém, esse termo é muito impreciso e não contempla a complexidade da sexualidade humana.

A orientação sexual está relacionada ao gênero que uma pessoa é atraída física, romântica e/ou emocionalmente.

Instituições como a Associação de Psicologia Americana tem estudado a sexualidade há décadas e a definido como orientação e não como opção, porque está longe da esfera de escolha da pessoa.  Até hoje não há um consenso sobre como uma pessoa desenvolve uma orientação sexual. No entanto, é algo unânime que não é algo que se faz como escolher entre sorvete de morango ou de chocolate numa sorveteria.

Os fatores que podem levar uma pessoa a desenvolver a heterossexualidade, a homossexualidade, a bissexualidade, a assexualidade ou a pansexualidade são múltiplos. Pode haver fatores biogenéticos, ou pode estar relacionado à constituição do cérebro. Várias propostas têm sido feitas a fim de entender essa parte da vida dos seres humanos.

Algo é certo, não se deve reduzir a orientação sexual de ninguém a uma escolha, ou então a uma má criação como se a sexualidade tivesse um programa que os pais devem seguir, para que os filhos se desenvolvam como heterossexuais. É possível ter uma vida saudável não apenas sendo hétero, mas também sendo lésbica, gay, bi, ace (assexual), ou pan (pansexual).

Afinal, o que é pansexualidade?

Também chamada de omnisexualidade, ou ainda onissexualidade, a pansexualidade é uma orientação sexual, que se caracteriza pela atração física, romântica e/ou sentimental por pessoas independente de sua identidade de gênero.

Algumas pessoas veem a pansexualidade apenas como uma ramificação da bissexualidade. No entanto, outras a veem como sendo em muitos aspectos radicalmente diferente. Enquanto a bissexualidade pode ser vista como atração tanto pelo gênero masculino quanto pelo gênero feminino, pessoas pansexuais se veem além dessa ideia binária de apenas dois gêneros.

Pansexuais gostam de enfatizar que sobretudo que se sentem atraídas por pessoas. Essas pessoas podem ser homens, mulheres, cis, trans, não binários ou outras identidades. Elas não se sentem presas a sentirem atração apenas por uma identidade de gênero.

Heteronormatividade, heterossexualidade compulsória e heterossexismo

Entendendo a invisibilidade

Você já se perguntou por que não ouve tanto falar tanto sobre pansexualidade? É verdade que hoje muitas pessoas já sabem o que é homossexualidade, no entanto, são ignorantes para outras sexualidades como a bissexualidade, que tende a ser vista como sexualidade de gente confusa. Há ainda o estigma sobre a assexualidade, que pode ser vista como gente que tem medo de sexo. Você sabe por que tantos estigmas quanto às sexualidades que não são heterossexuais? As palavras acima podem ajudar um pouco a compreender como funciona nossa sociedade.

Heteronormatividade

Este termo tem sido usado desde 1991, para designar pensamentos e práticas que visam perpetuar a ideia da heterossexualidade como norma. Dessa maneira, tudo que não é heterossexual é colocado de lado, é marginalizado porque não se assemelha à heterossexualidade.

A heteronormatividade pode agir de múltiplas formas, seja por ações individuais, ou por práticas de instituições. Para se ter uma ideia, o Brasil só aceitou uniões estáveis homoafetivas em 2011 e aprovação do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo só veio em 2013. Isso é um exemplo de que por décadas, desde a  constituição de 1988, só era considerado casamento a configuração relacional entre um homem e uma mulher.

A heteronormatividade age contra toda forma de vida que não vise assimilar o modo de vida heterossexual, ou ainda o modo cisgênero, colocando assim a vida de pessoas trans em risco também.

Além disso, até mesmo a vida de pessoas heterossexuais é afetada por isso. A vida de casais que não têm filhos, mães solteiras, ou ainda profissionais do sexo. Todas essas vidas são colocadas de lado porque não reproduzem o padrão considerado “normal”.

Heterossexualidade compulsória

Também conhecida como heterossexualidade obrigatória, o termo tem sido utilizado desde 1980. Foi popularizado pela poeta e professora Adrienne Rich dos Estados Unidos. O que essa palavra busca compreender são os esforços que são feitos, a fim de constranger as pessoas à heterossexualidade.

O conceito foi utilizado para questionar a compreensão de que todas as pessoas nascem heterossexuais e que algumas delas se corrompem e por isso se tornavam gays ou lésbicas. A ideia de heterossexualidade compulsória age como se a heterossexualidade não precisasse de explicação. Mas tudo que não é heterossexual precisa ser justificado.

Você já deve ter visto alguma discussão sobre “cura gay”. Muitas pessoas buscam justificar que a homossexualidade é apenas um desvio de algo natural, a saber, a heterossexualidade. Sendo assim, pessoas que não são heterossexuais precisam de um “tratamento” para que possam “voltar ao normal”. Essa prática, além de violenta, tem se mostrado totalmente ineficaz e, portanto, é proibida no Brasil e ao redor do mundo, porque ela não produz os resultados prometidos, apenas sofrimento.

Heterossexismo

O termo foi proposto em 1971 por Craig Rodwell. O conceito por trás dessa palavra está relacionado a toda atitude discriminatória contra sexualidades não heterossexuais. Além disso, também diz respeito a crença de que a heterossexualidade é superior às demais sexualidades. Também é o tratamento de tudo que não é heterossexual como sendo algo perverso, desviante, ou até mesmo patológico.

O heterossexismo está mais associado às atitudes institucionais. Como nos países em que qualquer prática fora da heterossexualidade seja considerada um crime. Onde não se é possível outros arranjos familiares além do heterossexual.

Visibilidade pansexual

Na seção anterior, você viu os vários conceitos que visam entender por que a nossa sociedade dá tanta ênfase nas relações heterossexuais e, em contrapartida, não oferece igual possibilidade de representação para pessoas não heterossexuais.

Para você ter uma ideia, o primeiro beijo protagonizado por dois homens em uma novela da globo só ocorreu em 2014. A globo é acusada de ser progressista e ir contra os ideias da família tradicional brasileira. Parece que mesmo assim, a emissora sempre teve receio de chocar as famílias brasileiras. No entanto, de 2014 para cá muita coisa mudou.

É inegável que os personagens gays ainda têm o protagonismo, quando se abre uma exceção para representatividade de pessoas não heterossexuais. Essa invisibilidade de pessoas pansexuais pode contribuir para que elas fiquem na marginalidade e desconhecidas.

Não é raro o relato de pessoas que se identificam imediatamente quando encontram a definição de pansexualidade. Sendo assim, algumas pessoas não se identificam como pansexuais porque desconhecem essa possibilidade.

Famosas pansexuais

Ainda que não haja a devida representação de pessoas pansexuais nos cinemas. Há pessoas famosas que se identificam como pansexuais. Pessoas que perceberam uma insuficiência no binômio hétero vs homo e que não se sentiram plenamente representadas na categoria bissexual.

A cantora Miley Cyrus, que foi estrela da Disney por anos, revelou em 2016 que se identifica como pansexual. Ela disse que sempre se sentiu dentro de uma caixa na identidade bissexual, quando tomou conhecimento da identidade pansexual se identificou. Ela afirmou que se sente mesmo atraída é por pessoas independente da sua identidade de gênero.

A cantora Miley Cirus enrolada na bandeira do orgulho LGBTQIA+ cantando.
A cantora Miley Cyrus sempre apoiou a comunidade LGBTQIA+. Reprodução: https://www.miley.com.br/

Outra pessoa famosa que se identifica também como pansexual é a cantora Sia. Apesar de não mostrar muito seu rosto, a cantora sempre foi aberta sobre sua sexualidade.  Nunca teve dificuldade de se relacionar com homens ou com mulheres, isso já antes mesmo da fama.

Equívocos sobre a pansexualidade

Como qualquer outra sexualidade, a pansexualidade está sujeita a ser compreendida de maneira errada. São muitos os  esterótipos que circundam pessoas não heterossexuais. Alguns dele são propagados sem que a pessoa saiba que está difundindo uma visão errada sobre pessoas não heterossexuais. No entanto, outros são sistematicamente reproduzidos a fim de marginalizar as experiências de pessoas não heterossexuais. Vamos ver algumas dessas desinformações que são propagadas sobre pessoas pansexuais.

Pansexualidade não é atração por bichos e plantas

O prefixo grego “pan” que significa “todo, por inteiro” pode sugerir algo absolutamente errado sobre pansexualidade. A ideia de que uma pessoa pansexual se sente atraído por tudo. Isso pode envolver animais e plantas. Mas isso é um erro. Pois pansexualidade se refere a atração por pessoas independente de sua identidade de gênero.

Pansexualidade não é falta de vergonha na cara

Outro equívoco relacionado à pansexualidade é que uma pessoa pansexual por não sentir atração apenas por um gênero, ela não tem vergonha na cara. Isso está absolutamente errado. Sentir atração por pessoas independente de sua identidade de gênero não tem nada a ver com não ter vergonha na cara. As pessoas pansexuais precisam de muita coragem para não se envergonharem da sua orientação sexual.

Pansexualidade não é necessariamente poligamia

Pessoas pansexuais podem viver em relacionamentos monogâmicos como qualquer outra pessoa. Não há uma relação imediata entre ser pansexual e aderir à poligamia. A poligamia tem sido praticada sobretudo em países que priorizam as relações heterossexuais.

Essas informações já são suficientes para que você entenda melhor as pessoas pansexuais.

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