Mulheres negras empoderadas e inspiradoras

As mulheres vêm conquistando muito espaço nos últimos anos. As mulheres negras estão sendo percebidas também? Venha conhecer algumas mulheres negras que estão fazendo a diferença

O feminismo tem feito com que pautas relacionadas às mulheres ganhem cada vez mais visibilidade. No entanto, muitas vezes não é considerado o recorte de raça e mulheres negras são escamoteadas dessas conversas. Pensar em mulheres negras empoderadas e inspiradoras é pensar como as conquistas das mulheres podem beneficiar essa parcela da população que sofre com o machismo e o racismo. Isso sem mencionar o caso mulheres não heterossexuais e/ou que são trans.

Um pouco da história das conquistas das mulheres

Hoje mulheres podem votar, mas nem sempre foi assim. Hoje mulheres podem ocupar vários cargos, no entanto, as mulheres já tiveram suas atividades muito restritas ao lar. Se hoje é possível que mulheres sejam reconhecidas e tenham direito de receber os mesmos salários que os homens, é porque muitas mulheres lutaram por esses direitos que não foram entregues sem reivindicações e muitas lutas.  Nós já abordamos um pouco da questão patriarcado em outro texto, agora veremos um pouco sobre o movimento das mulheres contra as formas de opressão.

Primeira onda: a luta pelo sufrágio universal

A história do feminismo, ou da luta pelos direitos das mulheres costuma ser dividida em três ondas, isto é, em três momentos distintos da história. Cada uma das estações com suas lutas e desafios para as mulheres.

A primeira onda ficou muito conhecida pela sua ênfase na luta pelo direito ao voto das mulheres, que também é chamado de sufrágio universal. Até então somente homens tinham direito a voto. A luta se deu nos Estados Unidos e no Reino Unido. Essa primeira fase ocorreu entre o século dezenove e o início do século vinte. 

A conquista não se deu da noite para o dia, mas foi um processo um tanto que paulatino e levou anos desde as primeiras manifestações até à tão aguardada conquista.  Para se ter uma ideia, no Reino Unido, o  Representation of the People Act  só foi aprovado em  1918. Ele garantia o direito de voto às mulheres. No entanto, não para todas as mulheres.  A lei só permitia que mulheres a partir de 30 anos  que tivessem uma casa ou mais pudessem votar. Somente a partir de 1928 que o direito foi estendido a todas as mulheres acima de 21 anos.

Nos Estados Unidos houve vários movimentos de mulheres pelo direito ao sufrágio universal também. No entanto, foi somente em 1919 com a aprovação da Décima Nona Emenda à Constituição dos Estados Unidos.

Segunda onda: para além do sufrágio universal

Se a primeira onda se preocupava com o sufrágio universal nos Estados Unidos e no Reino Unido, a segunda onda quis expandir esse direito para outros países nos quais o direito ao voto ainda não era assegurado às mulheres.

A segunda onda preocupou-se também com a questão de as mulheres terem mais autonomia sobre si em relação ao trabalho e ao próprio corpo. Para se ter ideia, somente em 1965, na França, as mulheres casadas receberam o direito de trabalhar sem precisar da permissão do marido para isso.

A segunda onda coexiste com a terceira. Ela é marcada por denúncias das desigualdades entre mulheres e homens. Além de oferecer a explicação sexista para esses problemas. Foi nessa época que se passou entender que estupros aconteciam no casamento. Houve a luta pelos direitos reprodutivos. Um nome muito importante é a filósofa existencialista  Simone de Beauvoir.

Terceira onda: por uma crítica ao essencialismo

Na terceira onda, um discurso muito corrente é a crítica ao que se chama de essencialismo. Isso significa em poucas palavras, que algumas mulheres estavam considerando a experiência de ser mulher como algo universal e uniforme para todas as mulheres. Ou ainda como se tivesse uma única maneira de ser mulher.

A crítica que surge dentro do movimento visa evidenciar que algumas preocupações não alcançam todas as mulheres, pois focam em mulheres brancas de classe média. A partir desse movimento que se iniciou no final dos anos 80 e no início dos anos 90 houve uma multiplicação nos discursos  sobre feminismos. Um nome muito importante é Judith Butler.

Movimentos de mulheres negras

Concomitante a algumas dessas ondas surgiu o movimento das mulheres negras, que muitas vezes é chamado de feminismo negro. Ele surgiu concomitantemente ao Movimento dos Direitos Civis, na década de 1960, nos Estados Unidos. Havia uma forte discriminação contra pessoas negras e as mulheres negras sofriam racismo por parte das feministas brancas também.

O feminismo negro veio atender a essa demanda das mulheres negras que sofriam machismo por parte de homens negros e brancos, e racismo por parte de mulheres e homens brancos. Não somente isso, mas havia também a questão de classe, mulheres negras ocupavam empregos subalternos, ou ganhavam menos em relação a pessoas brancas, em alguns cargos mais elevados quando chegavam a ocupá-lo.

As mulheres negras se organizaram para lutar contra todas essas opressões que atingiam as mulheres negras de maneira sistêmica. O feminismo negro tem como principais vozes Ângela Davis, Bell Hooks e Audre Lorde.

É válido mencionar que algumas mulheres negras não se consideram feministas, embora lute pelos direitos das mulheres. Pode parecer contraditório, mas não é.  O não uso da palavra feminismo para se designar acontece porque algumas mulheres afirmam que o feminismo foi algo criado com preocupações apenas de mulheres brancas, por isso preferem usar outros termos como mulherismo e outras opções.

Aliás, o termo  não interessa muito, o importante é que se lute por uma sociedade livre de opressão às mulheres negras. Porque dessa maneira se estará contribuindo para uma sociedade mais justa e igualitária para todos os tipos de pessoa.

Mulheres negras e empoderadas que você precisa conhecer

Nos últimos anos, muitas mulheres negras têm se de destacado no cenário internacional. Embora o espaço seja curto, aqui você vai conhecer um pouquinho das histórias de algumas delas que têm feito o mundo repensar suas ações.

Chimamanda Ngozi Adichie

A escritora feminista Chimamanda Adichie
Uma mulher que tem lutado contra os estereótipos. Reprodução: Revista Aldeia.

Chimamanda é uma escritora feminista nigeriana que tem abalado as estruturas do pensamento Ocidental. Ela participou de um programa de palestras que se chama Ted Talk, que tem objetivo de dar voz a grandes ideias. Em uma apresentação que ela fez a palestra se chamou O perigo da história única.

Nessa apresentação, Chimamanda conta algumas histórias da sua vida. Ela narra que cresceu na Nigéria em um campus universitário e que sua mãe conta a história de que ela começou a ler aos dois anos. Mas a autora acredita que seja mais exato que tenha começado aos quatro anos. Ela teve uma boa vida e cresceu em uma família de classe média.

Ela narra que leu muitos livros britânicos na infância e que quando começou a escrever, ela basicamente repetia as histórias de crianças brancas que falavam sobre o tempo e sobre a neve. Coisas incomuns no  dia a dia na Nigéria.

Quando se mudou para os Estados Unidos para estudar, ela enfrentou preconceito por parte de uma colega que se impressionou com o fato de ela falar tão bem inglês e ficou surpresa quando a autora disse que a Nigéria tinha o inglês como língua oficial.

O ponto que Chimamanda Adiche está desenvolvendo é o seguinte: todas as pessoas são expostas a uma série limitada de representações sobre outras pessoas. Por isso, nós nos apegamos aos estereótipos que são histórias únicas que não representam a totalidade que é diversificada.

Nós precisamos ouvir muitas histórias para que tenhamos uma percepção mais verdadeira da realidade de mulheres negras.

Uma outra palestra que você pode ver da autora é  Nós Deveríamos Todos Ser Feministas em que ela fala sobre a importância do feminismo.

Beyoncé

Beyoncé posando como ícone feminista.
A luta pela igualdade também passa pela arte. A cantora Beyoncé tem se destacado ao trazer pautas sobre a situação de mulheres negras em suas apresentações.

Reprodução: Instagram

O feminismo já foi muito criticado por ser às vezes uma luta apenas acadêmica. Mas isso tem mudado nos últimos anos. Uma prova disso tem sido a cantora Beyoncé que tem popularizado a luta pela igualdade.

Em um de seus videoclipes, Flawless, há uma citação da escritora nigeriana mencionada anteriormente. A citação é a seguinte “Feminista: uma pessoa que acredita na igualdade política, social e econômica dos sexos”. O trecho ainda segue falando sobre a necessidade de conversar acerca da importância do casamento não somente para meninas, mas para meninos também. O videoclipe é um grande convite à reflexão dos papéis de gênero e aponta caminhos para a construção da igualdade entre homens e mulheres.

Djamila Ribeiro

A escritora Djamila Ribeiro é um símbolo do empoderamento feminino.
A escritora Djamila Ribeiro tem se dedicado na luta contra o racismo e contra o machismo. Foto: Marlos Bakker.

Graduada e mestre em Filosofia, a brasileira Djamila Ribeiro tem se destacado no cenário internacional. Três de seus livros publicados têm feito bastante sucesso.  São eles: O que é lugar de fala?, Quem tem medo do feminismo negro e o Pequeno Manual Antirracista.

Em 2018 Djamila integrou a lista das cem pessoas negras mais influentes do mundo com menos de 40 anos. Ela recebeu do governo francês o título de personalidade do amanhã e ganhou o prêmio holandês Prince Claus por suas ações em defesa dos direitos humanos e da justiça social. Já foi conferencista convidada em vários países, além dos diversos lugares no Brasil.

Por isso, a Djamila é uma das mulheres negras empoderadas tão inspiradoras para nós.

Pesquise mais sobre essas mulheres e o que elas têm feito. Isso será um bom começo para se engajar na luta contra o machismo e contra o racismo.

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