Fatos e mitos sobre a bissexualidade

Muitas mentiras são contadas sobre a bissexualidade. Venha saber o que de fato é verdade e o que não é!

A bissexualidade ainda é muito mal compreendida pela sociedade.  A afirmação de que a sexualidade humana é diversa e que pode ser dinâmica está cada vez mais corrente. Mas, com frequência, as pessoas pensam que há apenas duas possibilidades de orientação sexual: heterossexualidade ou homossexualidade.

Porém, essa postura está absolutamente equivocada. Há outras possibilidades de orientação sexual como a pansexualidade e a demissexualidade. Mas aqui vamos explorar a bissexualidade.

O que é essa tal bissexualidade?

Primeiramente, é válido lembrar que a bissexualidade é uma orientação sexual. Sendo assim, ela não pode ser vista como uma opção. Mas como um padrão de atração sexual e/ou romântico que foi desenvolvido de maneira inconsciente sem uma escolha deliberada da pessoa.

A bissexualidade pode ser entendida então como uma atração romântica e/ou sexual por mais de um gênero. É necessário entender que a atração pode não se dar da mesma forma, com a mesma frequência ou intensidade. Portanto, há um certo espaço para graus de subjetividade. Bissexuais, assim como pessoas de outras sexualidades, podem ser muito diferentes. Não há necessariamente uma maneira correta de ser bissexual.

A controversa escala de Kinsey

No século passado, um biólogo muito importante abalou as estruturas do pensamento habitual sobre sexualidade. Alfred Kinsey que fundou o Instituto de Pesquisa do Sexo na Universidade de Indiana trouxe algumas contribuições que deixaram seu nome registrado na história da humanidade. O instituto que ele fundou veio a se chamar posteriormente de Instituto Kinsey para Pesquisa do Sexo, Gênero e Reprodução.

O trabalho dele que chamou muita atenção foi uma pesquisa publicada em 1948, com o título de O comportamento do macho humano.  Com uma série de entrevistas, Kinsey mapeou o comportamento sexual de vários homens norte-americanos. O que resultou na famosa escala de Kinsey.

Nessa escala, o comportamento sexual foi classificado dos extremos da heterossexualidade à homossexualidade. Nessa perspectiva se descobriu que havia um número expressivo de homens que não eram exclusivamente homossexuais ou heterossexuais. Mas havia espaço para classificações intermediárias.

É nessa categoria que intermediária que apareceram as pessoas bissexuais. A escala chocou o imaginário popular porque registrou que os homens poderiam assumir diversas configurações sexuais ao longo da vida. A ideia de que só era possível sentir atração por um gênero começou a perder força na contemporaneidade.

A bifobia e os mitos sobre a bissexualidade

Ser bissexual pode parecer, à primeira vista, para muitas pessoas, estar em vantagem na sociedade. Mas, pelo contrário, pessoas bissexuais relatam diversos desconfortos no seu cotidiano. Aliás, toda sexualidade que não se enquadre na heterossexualidade tende a ser estigmatizada.

Com bissexuais não é diferente. Pessoas bissexuais relatam sofrer discriminação tanto de pessoas heterossexuais quanto de pessoas homossexuais. Sempre tentam enquadrar pessoas bissexuais em outras identidades.

Por isso, existe a palavra bifobia. Ela busca caracterizar toda atitude discriminatória que tenha a intenção de depreciar pessoas bissexuais. Dessa maneira, ser bifóbico é agir de maneira que menospreze as pessoas por causa da bissexualidade. Há várias maneiras de isso acontecer. Vamos explorar alguns mitos que a questão vai ficar mais evidente.

Ser bissexual significa que a pessoa carrega infecções sexualmente transmissíveis

Esse mito muito difundido está relacionado a uma péssima compreensão acerca das pessoas bissexuais. Às vezes é mais difundido por mulheres lésbicas em relação às mulheres bissexuais, porque o HIV costuma ser mais veiculado nas relações entre um  homem e uma mulher, ou ainda entre dois homens.

No entanto, não há nenhuma pesquisa científica que faça uma relação entre ser bissexual e estar mais sujeito a contrais infecções sexualmente transmissíveis. Embora essa informação errada seja disseminada, ela não tem dados concretos que confirmem sua realidade. Ela não passa de uma suposição errada.

Por fim, orientação sexual não é um fator decisivo para o autocuidado e proteção no que diz respeito ao sexo. As infecções sexualmente transmissíveis atingem as pessoas independente de suas orientações sexuais. Para isso, basta apenas o descuido.

Portanto, é absolutamente errado associar pessoas bissexuais às infecções sexualmente transmissíveis. Na verdade, nenhuma orientação deve ser vinculada a essa categoria. Uma vez que já foi exposto que as infecções sexualmente transmissíveis não escolhem de acordo com a identidade sexual de alguém. Mas tem a ver com autocuidado.

Ser bissexual significa que a pessoa é viciada em sexo

Outro mito que gira em torno de pessoas bissexuais é de que elas são viciadas em sexo.  Na cabeça de algumas pessoas funciona mais ou menos assim: se alguém não se relaciona apenas com pessoas do mesmo gênero, ou apenas com pessoas do gênero oposto, isso significa que ela não consegue ficar sem sexo. Portanto, ela se relaciona com mais de um gênero para nunca precisar ficar sem sexo.

Novamente, é uma perspectiva que não tem nenhum embasamento científico. Não existe um estudo que aponta que pessoas bissexuais não conseguem se controlar. As pessoas têm diferentes níveis de desejo sexual e isso varia de pessoa para pessoa independente de orientações sexual.

Pessoas bissexuais, assim como quaisquer outras pessoas normais, não são viciadas em sexo.

A bissexualidade é só uma fase, uma modinha que as pessoas aderem para se aparecer

A bissexualidade não é uma identidade sexual que as pessoas aderem porque há muito gente se identificando assim. Os motivos que levam uma pessoa a se tornar bissexual são desconhecidos. Portanto, uma pessoa pode se identificar como bissexual em diferentes momentos da vida.

No entanto, isso  implica que algumas pessoas podem deixar de se identificar como bissexual em algum momento. Do mesmo modo que algumas pessoas se identificam como heterossexual e homossexual e depois  aderem a outra identidade. A sexualidade humana é dinâmica e as pessoas podem ter diferentes compreensões sobre si mesmas em momentos distintos.

Mas isso não significa que a bissexualidade pode simplesmente ser alterada de acordo com um programa estabelecido. Com terapias malucas e sem nenhuma base científica suficiente para provar sua veracidade.

Quem gostaria de sofrer preconceito e discriminação por causa da sua orientação sexual? Pessoas que dizem que bissexuais querem se aparecer estão espalhando uma grande mentira sobre pessoas bissexuais.

Identificar-se como bissexual tem a ver com ser coerente consigo mesmo. Uma forma honesta de reconhecer seus sentimentos e descrevê-los da melhor maneira possível. Bissexualidade não é só mais uma fase, muito menos uma modinha. É uma maneira legítima de se descrever.

Pessoas bissexuais não conseguem ser monogâmicas e traem com mais facilidade

Mais mitos relacionados ao comportamento sexual de pessoas bissexuais. Esses mitos reiteram o que já foi dito acerca de que pessoas bissexuais são vistas como viciadas em sexo. Tanto que não conseguem se limitar apenas a um gênero, mas se interessam por mais de um para nunca ficarem sem sexo.

Não há nenhuma relação entre bissexuais e não monogamia. O que se tem não é um combo que as pessoas compram e levam várias coisas. Sendo assim, não há nenhuma obrigatoriedade em se relacionar com mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Com frequência bissexuais se satisfazem em relacionamentos monogâmicos.

Portanto, elas não têm nenhuma necessidade de trair a pessoa com quem estão se relacionando. Traição não tem nada a ver com orientação sexual, mas com caráter. Sendo assim, pessoas bissexuais podem ser muito fiéis. Sentir atração por mais de um gênero não significa querer se relacionar com mais de um gênero de uma vez.

Pessoas bissexuais gostam de ménage à trois

Ainda sobre o comportamento sexual, há quem acredite que bissexuais gostem de ter relações sexuais com mais de uma pessoa simultaneamente, como no caso do ménage à trois, que é uma relação sexual envolvendo três pessoas.

Novamente está aqui a ideia errada de que se a pessoa bissexual deseja mais de um gênero, tudo que envolve relacionamento ela quer fazer com mais de uma pessoa. Sendo assim, a pessoa bissexual deseja ter relação sexual com mais de uma pessoa simultaneamente.

Como já foi repetido diversas vezes neste texto, não há nenhuma relação direta entre orientação sexual e determinados comportamentos. O fato de uma pessoa se interessar por mais de um gênero não a obriga ter relações sexuais com mais de um gênero ao mesmo tempo. Deve haver pessoas bissexuais que se interessam por essas práticas, assim como há heterossexuais e homossexuais que também se interessam. Mas há também as pessoas que não se interessam.

Pessoas bissexuais sentem o mesmo grau de atração por mais de um gênero

Bissexuais são pessoas diversas. Sendo assim, elas podem relatar que sentem o mesmo nível de atração por mais de um gênero, mas outras podem relatar que não. Essas últimas não são menos bissexuais do que as primeiras.

O nível de atração por mais de um gênero pode variar de pessoa para pessoa e não há nada de errado com isso. Se uma pessoa se entende como bissexual, ela deve ser respeitada como tal.

Representatividade bissexual

Capa do álbum The Fame Monster de Lady Gaga.
Lady Gaga é uma das famosas que se identifica como bissexual.

Um tema muito recorrente é a questão da representatividade. Quanto mais pessoas famosas assumem-se bissexuais mais espaço para discussão. Essa identidade deixa de viver na clandestinidade e passa a ser veiculada como normal. Representatividade importa muito, porque ela de alguma maneira mostra que tipo de vida é possível para as pessoas que se sentem representadas.

Sendo assim, você verá algumas pessoas famosas que são bissexuais e poderá pesquisar mais sobre elas.

A artista Frida Kahlo, as cantoras Fergie, Ludmilla, Preta Gil e Lady Gaga. Há várias listas na internet sobre pessoas famosas bissexuais. Vá atrás, leia suas histórias.

Com as informações deste texto você já entende melhor as pessoas bissexuais.

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Até mais!

 

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