Autismo: conceitos, causas, sinais e tratamento

Você com certeza já ouviu falar sobre o autismo. Por isso, neste post você irá aprender conceitos, causas, sinais, tratamentos e questões sociais relacionadas a essa condição.

Na série “Atypical”, da gigante de streaming Netflix, é retratada a vida e os acontecimentos de Sam Gardner, um jovem estudante que possui autismo e que enfrenta diversos desafios sociais e de relacionamento.

Fora das telas, o autismo é uma realidade muito presente na vida cotidiana. De acordo com o CDC (Center of Diseases Control and Prevention), estima-se que há um caso de autismo a cada 100 pessoas.

Isso significa que, somente no Brasil, cerca de dois milhões de indivíduos possuem essa condição. Portanto, fica mais do que clara a necessidade de entendermos o que é o autismo e quais são as suas características e a sua relevância para o mundo atual.

O que é o autismo?

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), mais conhecido simplesmente como autismo, é uma condição psiquiátrica que afeta as habilidades de comunicação e comportamento de indivíduos.

Como o próprio nome diz, o autismo é um espectro, ou seja, possui diversas manifestações e características particulares em cada pessoa.

Cada tipo de autismo é atrelado a uma característica específica. Existem algumas pessoas autistas com dificuldades na fala,  deficiência intelectual, epilepsia, transtornos de ansiedade e existem indivíduos que estão no espectro e que nunca tiveram um diagnóstico, pois viveram uma vida sem complicações.

Portanto, precisamos sempre lembrar que, apesar de o autismo possuir padrões de manifestação, cada pessoa lida com ele de maneira diferente. Assim, cada um deve passar por um tratamento particular.

Causas do autismo

Genetics - MIT Department of Biology
Cromátides-irmãs. Material Genético. Reprodução: https://biology.mit.edu/faculty-and-research/areas-of-research/genetics/

As causas dessa condição psiquiátrica não são plenamente conhecidas pela Ciência. No entanto, alguns fatores têm sido considerados cruciais ao se analisar pessoas com essa condição. As principais causas são:

  • Mutação genética: muitos casos têm sido identificados com relações aos genes e possíveis mutações.
  • Herança genética: vários outros casos também têm sido identificados a partir da hereditariedade. Ou seja, essa condição é transmitida de parentes a seus filhos.
  • Fatores ambientais: apesar de essa causa ser mais controversa, há estudos que reforçam a possibilidade de o ambiente (infecções e estresse do feto, e contato com substâncias tóxicas ao longo da gravidez).

Tipos de autismo

Antes do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais DSM-5, a referência mundial em relação aos transtornos mentais, os tipos de autismo eram classificados dentro desses nomes:

  • Autismo Infantil Precoce e Infantil;
  • Autismo de Alto Funcionamento;
  • Transtorno Global do Desenvolvimento sem outra especificação;
  • Autismo de Kanner;
  • Transtorno Desintegrativo da Infância;
  •  Síndrome de Asperger;
  • Autismo Atípico;

No entanto, após a formulação da  DSM-5, essas categorias foram classificadas segundo características mais abrangentes:

  • Com ou sem comprometimento intelectual concomitante;
  • Com ou sem comprometimento da linguagem concomitante;
  • Associado a alguma condição médica ou genética conhecida ou a fator ambiental;
  • Associado a outro transtorno do neurodesenvolvimento, mental ou comportamental;
  • Com catatonia (incapacidade de se mover normalmente);

A partir dessa alteração, foi possível fazer um diagnóstico mais preciso e efetivo, já que essas novas categorias são capazes de agrupar mais características comuns entre pessoas autistas.

Sintomas do autismo

Autismo em bebês e crianças

O transtorno, geralmente, se manifesta desde quando a pessoa é um bebê. Os sinais mais clássicos durante a infância são:

  • Evitar o contato visual com a mãe durante a amamentação;
  • Dificuldade na comunicação, que sempre utiliza uma linguagem repetitiva;
  • Ações repetitivas, apatia, choros ininterruptos e movimentos repetitivos do corpo;

Autismo em adultos

No entanto, nem sempre é fácil identificar os sinais dessa condição em bebês e crianças pequenas. Desse modo, é possível identificar alguns padrões em jovens e até pessoas adultas, como:

  • Dificuldades na comunicação e interação social: pessoas autistas possuem dificuldades ao expressarem sentimentos, emoções, expressão de interesses e ao se comunicarem não verbalmente.
  • Padrões de repetições do comportamento: pessoas autistas podem sempre fazer determinados movimentos com o corpo, além de se apegarem a rotinas e comportamentos específicos.
  • Interesses fixos: pessoas autistas podem ter interesses muito direcionados a determinados assuntos ou objetos.

Diagnóstico

Médica conversando com paciente.
Médica consultando um paciente.

Enquanto há pessoas que claramente apresentam sinais de autismo, há outras que tais sintomas não são tão evidentes. Isso faz com que o diagnóstico seja diferenciado a partir das características de cada pessoa.

É por isso que a existe a separação de casos por funcionalidade, que são baixa (pessoas com grandes dificuldades e sintomas), média (pessoas com um grau mediano de dependência e sinais) e alta (pessoas que apresentam prejuízos leves, quase imperceptíveis).

Portanto, para que haja um diagnóstico efetivo, é necessário que os pais, responsáveis e pessoas que convivem com possíveis autistas percebam suas características sociais e comunicativas.

A partir dos padrões que já foram citados, um profissional da saúde poderá identificar possibilidades e irá avaliar a plausibilidade do diagnóstico de autismo ou não a partir de teste, como:

  • Testes visuais e auditivos;
  • Testes de DNA;
  • Avaliações comportamentais;

Tratamento

Na atualidade, não existem medicamentos específicos para o autismo. No entanto, existem uma série de práticas e tratamentos que auxiliam no desenvolvimento de aspectos sociais e comunicativos de pessoas autistas.

Assim, é essencial que o tratamento seja multi-disciplinar, envolvendo:

  • Médicos: psiquiatra, pediatra, neurologista;
  • Não-médicos: fonoaudiólogos, psicólogos, pedagogo, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, etc.

Todos esses profissionais, a partir das necessidades de cada indivíduo, irão iniciar tratamentos que visam combater ou diminuir determinados sinais, distúrbios e comportamentos que as pessoas autistas podem ter.

Conscientização

Autismo: conscientização
Laço representativo da Consciência sobre o Autismo. Reprodução: https://www.ceara.gov.br/2019/10/18/autismo-quanto-mais-cedo-o-diagnostico-melhores-sao-as-possibilidades-de-tratamento/

Por fim, não podemos deixar de falar de um tema tão importante: a conscientização. Apesar de parecer desimportante, explicar sobre a conscientização em torno do autismo é essencial.

Explica isso pelos diversos mitos, esteriótipos e preconceitos que cercam essa condição psiquiátrica. Também é importante pontuar o fato de que muitos autistas são incompreendidos por causas de suas dificuldades sociais e comunicativas, tornando-o pessoas mais vulneráveis e vítimas de preconceitos.

Para gerar mais debate e consciência dentro dessa temática, a ONU, em 2007, decretou que todo dia 2 de abril será celebrado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo.

No Brasil, em 2012, foi criada a Lei Berenice Piana, que instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro do Autismo. Essa lei facilita os processos de proteção e formulação de políticas públicas para pessoas com autismo, a fim de que suas necessidades sejam satisfeitas.

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